Piedade Agege de Carvalho aprendeu cedo o sentido de um lema que repetia com frequência: "A cada dia uma dor, a cada dia uma alegria".

Dadica, como gostava de ser chamada, era a filha do meio de uma família de cinco filhos que vivia em Alpinópolis (MG). Sua mãe era descendente de portugueses e seu pai, árabe, havia atravessado o Atlântico aos 14 anos para fugir da guerra e recomeçar a vida como mascate em Minas Gerais sem saber uma palavra do português.

Décadas mais tarde, Dadica dizia aos filhos: "Lembra de onde você vem, honra teus antepassados, honra a tua origem".

Ela já estava com um casamento arranjado e usava aliança quando se apaixonou de verdade, o que mudaria sua vida. Estava sentada no banco de uma praça em Altinópolis, quando viu um policial abordando de forma desrespeitosa um homem que andava a cavalo, que reagiu.

O homem a cavalo era Wilson, um dentista que morava em Passos, a cerca de 100 km dali. Dadica ficou encantada com a coragem do cavaleiro e passou a segui-lo pela cidade. Ela devolveu a aliança e ele encerrou o namoro para que pudessem casar.