A mãe da jovem Maria Eduarda Rodrigues, de 21 anos, que morreu após lançada sem as cordas de segurança em um salto de rope jump neste final de semana, foi às redes sociais para lamentar o incidente. Valdenia Rodrigues escreveu que tê-la foi um "privilégio", e publicou um desabafo sobre a saudade deixada pela filha. "Minha filha amada, só hoje eu quis te abraçar mais de mil vezes. Como esta me doendo sua partida. Te amo eternamente, minha princesa", escreveu Valdenia. Formada em Educação Física, Maria Eduarda morreu ao cair de uma altura de cerca de 40 metros na chamada Ponte do Esqueleto, na zona rural de Limeira (SP). Imagens gravadas por participantes mostram o momento em que ela é carregada por três instrutores até a plataforma e lançada na modalidade conhecida como “aviãozinho”. No entanto, a jovem não estava conectada às cordas de segurança. Logo após o salto, testemunhas aparecem em desespero ao perceberem a falha. "Muito obrigada por fazer parte da minha vida durante esses 21 anos. Que honra foi ouvir você me chamar de mãe. Deus, obrigada por esse privilégio", completou Valdenia, em post publicada na noite deste domingo. 'Maldita corda' Os responsáveis pelo lançamento — Luis Felipe Feliciano Egoroff, Vitor de Freitas Gonçalves e Maicon Fernandes Cintra, que atuavam por meio de marcas informais, como “Ih voei” e “Entre cordas” — foram presos em flagrante por homicídio com dolo eventual, acusação mantida após a conversão da prisão em preventiva. Em depoimento à polícia, dois deles afirmaram ter sofrido um “apagão” durante os procedimentos de preparação e não souberam explicar em que momento deixaram de prender as cordas. Ainda nas redes sociais, em outro post, conforme o portal Metrópoles, a mãe de Maria Eduarda definiu a corda utilizada na atividade como "maldita": “Aquela maldita corda te levou para sempre de mim. Minha filha amada, você se foi e aqui só resta dor e saudade. Te amo para sempre", escreveu Valdenia. Atuação sem empresa formal De acordo com a investigação, não havia uma empresa formalmente constituída e regulamentada por trás da atividade. Para a delegada, os organizadores operavam de forma autônoma e utilizavam as marcas divulgadas nas redes para promover os saltos. Após a repercussão da tragédia, os perfis associados ao grupo deixaram de estar disponíveis na internet. A defesa dos três investigados sustenta que eles possuem ampla experiência na realização de atividades de aventura e argumenta que esta teria sido a primeira morte registrada em sua trajetória profissional. A apuração também indica que Maria Eduarda pagou R$ 180 pela experiência e desembolsou outros R$ 150 para que o salto fosse filmado com uma câmera 360 graus. O equipamento, que aparecia nas mãos da jovem momentos antes da queda, ainda não foi localizado pelos investigadores. Moradora de Jandira, na Grande São Paulo, Maria Eduarda trabalhava em uma academia e costumava compartilhar nas redes sociais registros ligados a esportes, natureza e bem-estar. Horas antes do acidente, publicou uma foto em frente a placas que alertavam para o risco de morte no local. Em uma postagem feita pouco antes do salto, escreveu em tom de brincadeira: “Quem foi o doido que deixou eu vir pular de uma ponte?”. Após sua morte, o perfil da jovem também foi retirado do ar. A Ponte do Esqueleto, estrutura ferroviária inacabada que hoje pertence à União, acumula histórico recente de acidentes. Em 2024, uma ciclista morreu após cair do viaduto, enquanto outras duas mulheres ficaram gravemente feridas em ocorrências registradas nos meses anteriores. A prefeitura de Limeira e a Secretaria de Patrimônio da União divergem sobre a responsabilidade pela fiscalização e pelo controle de acesso ao local.