Em depoimento à Polícia Civil, a enfermeira, chamada Rayza Gabrieli Dias Delfino, afirmou que desceu da ponte e encontrou Maria Eduarda com pulsação fraca. "Ela estava dando aquele suspiro de pós-morte [...] Eu peguei, chequei, ela estava com um pulso bem fraco. Eu comecei a massagem e parou [a pulsação]”, conta. A enfermeira também disse que a jovem estava com um equipamento de segurança preso à barriga, mas sem a corda principal. Ela afirmou que permaneceu prestando os primeiros socorros até a chegada da ambulância. A equipe da ambulância precisou cortar o restante do equipamento para tentar utilizar o desfibrilador, sem sucesso. 🔎 O rope jump é uma modalidade que usa cordas estáticas, sem elasticidade, e após a queda faz um movimento de balanço, como um pêndulo. No bungee jump, modalidade mais conhecida, a corda elástica faz a pessoa cair e quicar para cima e para baixo repetidas vezes. Ao perceber o ocorrido e o desespero do amigo da vítima, que a acompanhava na plataforma, a enfermeira afirmou que o pediu para que a levassem até Maria Eduarda para os primeiros socorros. Enfermeira também saltaria No depoimento, a enfermeira afirmou que seria a 42ª pessoa a saltar no dia. Com o celular em mãos, a profissional de saúde filmava a preparação da jovem. "Eu ia mandar para uma tia minha [...] Eu não consegui ouvir [o que falavam] porque estava na expectativa de que eu iria pular [...] Eu só estava olhando ela, nem olhei como que eles colocaram as coisas [...] Quando ela cai, começo a ouvir todo mundo falando: 'a corda, a corda'", relata a testemunha. LEIA TAMBÉM: Infográfico - Jovem de 21 anos morre após ser lançada sem corda de ponte de 40 metros em Limeira — Foto: Arte/g1 Responsabilidade pela ponte Ponte do Esqueleto em Limeira — Foto: Jefferson Barbosa/EPTV A Ponte do Esqueleto fica na Estrada Doutor Cássio de Freitas Levy e pertencia a um trecho nunca implantado da antiga Rede Ferroviária Federal (RFFSA), no interior de propriedades particulares. Segundo o governo federal, o processo de incorporação da ponte à Secretaria de Patrimônio da União (SPU) foi autorizado em março de 2026. O governo afirma que, mesmo antes, "pediu apoio às prefeituras locais para bloquear o acesso à referida ponte" "Em 2024, em função dessa parceria, a ponte foi bloqueada por alguns meses. Posteriormente, a reabertura foi discutida e defendida por empresários locais em sessão na Câmara de Vereadores de Limeira", alega o governo federal. Em nota, a Prefeitura de Limeira disse que “vinha adotando medidas administrativas e cobrando providências junto aos órgãos federais responsáveis pela área” e que a tragédia “torna insustentável e inaceitável a continuidade dessa omissão”. Segundo a administração municipal, a responsabilidade pela fiscalização, manutenção e controle de acesso à Ponte do Esqueleto é exclusivamente do governo federal. A Prefeitura e a Câmara Municipal já haviam encaminhado ofícios aos órgãos responsáveis cobrando medidas de segurança. "Nenhuma providência concreta foi adotada", pontuou. "Além das circunstâncias que levaram à morte da jovem, é preciso apurar a responsabilidade pela falta de controle de acesso a uma área federal que, há anos, apresenta riscos conhecidos e segue sem as medidas de proteção necessárias. A Prefeitura e a Câmara vêm cobrando providências há meses para que o Governo Federal assuma sua responsabilidade. Infelizmente, a omissão federal acaba de resultar em mais uma tragédia em Limeira", disse o prefeito Murilo Félix (Podemos). Paga o governo federa, "os poderes públicos de todos os níveis precisam, imediatamente, juntar esforços para evitar de forma definitiva o acesso à ponte do Esqueleto e coibir atividades ilegais. E, na sequência, decidir o futuro da ponte do Esqueleto de forma conjunta". A tragédia Um vídeo que circula nas redes sociais mostra Maria Eduarda Rodrigues de Freitas sendo carregada por três funcionários até a beirada da plataforma. Ela é impulsionada para frente e, logo após a queda, ouvem-se gritos de desespero dizendo "a corda" e "gente, a corda". A jovem caiu de uma altura de 40 metros e teve a morte constatada no local pelas equipes do Samu e do Corpo de Bombeiros. Segundo a Polícia Civil, o equipamento grosso que deveria estar preso ao corpo da vítima para segurar a queda foi esquecido e ficou enrolado no chão da estrutura de salto. Uma testemunha, que saltaria logo após a jovem, relatou que os instrutores não fizeram a checagem de segurança na vez de Maria Eduarda. Segundo testemunhas e a Polícia Civil, houve uma falha grave na checagem dos equipamentos e os instrutores simplesmente esqueceram de conectar o sistema de segurança em Maria Eduarda. Um cliente que saltaria logo em seguida relatou que os funcionários ignoraram a conferência padrão na vez dela. A corda grossa que deveria segurar a queda da jovem ficou enrolada no chão da plataforma. Em depoimento à polícia, os três instrutores presos não souberam explicar o motivo do erro. A delegada responsável pelo caso afirmou que eles se mostraram desnorteados e alegaram não se recordar de quem era a obrigação de colocar a corda, nem o porquê de a fiscalização final não ter sido feita antes de empurrarem a vítima. Jovem de 21 anos morre após ser lançada sem corda de plataforma de rope jump em Limeira — Foto: Reprodução/Redes sociais VÍDEOS: tudo sobre Piracicaba e região