Seis pessoas são investigadas pela morte de Maria Eduarda Rodrigues, de 21 anos; três seguem detidas 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Mulher é lançada em rope jump, mas sem cordas, no interior de SP — Foto: Reprodução/Redes Sociais RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 14/06/2026 - 11:25 Acidente fatal em salto de rope jump na Ponte do Esqueleto, SP Em um trágico incidente na Ponte do Esqueleto, SP, Maria Eduarda Rodrigues, de 21 anos, morreu após ser lançada sem cordas em um salto de rope jump. Instrutores alegaram "apagão" ao não prenderem as cordas corretamente. Três responsáveis estão presos por homicídio com dolo eventual. A ponte, sob responsabilidade federal, já foi palco de outras tragédias, e a prefeitura de Limeira cobra ações de segurança. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Os instrutores que lançaram Maria Eduarda Rodrigues de Freitas, de 21 anos, num salto de rope jump na Ponte do Esqueleto, no interior de São Paulo, neste sábado (13), afirmaram à polícia que sofreram um "apagão" durante o procedimento. A jovem morreu após ser arremessada de cerca de 40 metros de altura sem que as cordas do equipamento estivessem amarradas em seu corpo. O salto foi gravado em vídeo por pessoas que estavam no local, incluindo a cliente que pularia em seguida. Maria Eduarda foi a primeira pessoa a ser lançada neste sábado da Ponte do Esqueleto, entre Limeira e Cordeirópolis, na modalidade "aviãozinho" do rope jump. Neste caso, os instrutores seguram o corpo da pessoa na horizontal, acima de suas cabeças, e então a arremessam. Os três homens que jogaram a vítima foram presos em flagrante por homicídio com dolo eventual — caso em que o acusado não quer diretamente o resultado fatal, mas poderia prever a possibilidade do dano e, mesmo assim, assume o risco de produzi-lo. A delegada plantonista Andréa Dantas Levy disse ao GLOBO que seis pessoas foram levadas para a delegacia: os três responsáveis pelo arremesso e outros três envolvidos que estavam numa barraca ao lado com a função de distribuir pulseirinhas e colocar cintos e cadeirinhas nos clientes. Os últimos três ainda são investigados, mas foram liberados porque, segundo ela, não havia elementos suficientes para mantê-los presos, já que não cabia a eles amarrar as cordas e nem tinham visão direta dos saltos. Permaneceram detidos Luis Felipe Feliciano Egoroff, Vitor de Freitas Gonçalves e Maicon Fernandes Cintra, que aparecem na filmagem com Maria Eduarda nos braços. — Dois deles disseram que ficam responsáveis por amarrar as cordas, só que na hora tiveram um apagão. Eles disseram que não conseguem se recordar onde e quando ocorreu a falha, quem teria de ter colocado e não colocou. O terceiro, que segurava as pernas, disse que só foi chamado para ajudar no arremesso. Tentou se isentar da responsabilidade de verificar a corda. Mas é nítido, a corda é grossa. Eram duas cordas que deveriam ter sido colocadas, e não foi colocada nenhuma. Em um esporte de risco desse, era para terem checado três vezes — afirmou a delegada ao GLOBO. Os presos ainda vão passar por audiência de custódia. Para a delegada, eles assumiram o risco da morte de Maria Eduarda por não terem verificado adequadamente o equipamento. Os uniformes dos instrutores tinham as marcas "Ih voei" e "Entre cordas". Andréa afirma que, segundo as investigações, eram grupos informais de praticantes, e não empresas oficiais, por trás da operação. Em nota enviada à TV Globo, a defesa dos três presos disse que eles têm experiência na atividade e que esta foi a primeira fatalidade em anos de atuação. Ponte já teve "várias tragédias", aponta delegada A delegada Andréa Dantas disse ainda que a Ponte do Esqueleto já foi cenário de "várias tragédias", como os casos de uma ciclista que foi tirar uma selfie, caiu e morreu, suicídios e outros saltos em que o equipamento falhou. As circunstâncias da morte de Maria Eduarda, lançada sem qualquer corda, porém, configuram uma ocorrência inédita, destacou a investigadora. A apuração aponta que Maria Eduarda pagou R$ 180 pelo salto na modalidade "aviãozinho" e arcou com R$ 150 extras para ter a experiência filmada com uma câmera 360 graus. No vídeo da morte, a jovem segurava a câmera com uma das mãos, mas o equipamento não foi localizado pelos investigadores. O rapaz que a acompanhava no local — cujo vínculo com a vítima não foi esclarecido — passou mal ao ver a cena e precisou ser internado. Ele ainda deve ser ouvido pela polícia. Como estava de plantão, Andréa não sabe se ficará com o inquérito, mas diz que, em caso afirmativo, deverá anexar ao procedimento documentos sobre os perigos da Ponte do Esqueleto antes de relatá-lo ao Ministério Público. A prefeitura de Limeira afirma que a responsabilidade pela fiscalização, pela manutenção e pelo controle de acesso à ponte "é exclusivamente do Governo Federal" e disse que irá à Justiça contra a "omissão". "Desde o início de 2025, a administração municipal vinha adotando medidas administrativas e cobrando providências junto aos órgãos federais responsáveis pela área. A tragédia deste sábado (13), que resultou na morte de uma jovem de 21 anos, torna insustentável e inaceitável a continuidade dessa omissão", diz a nota do poder municipal. Ainda de acordo com a prefeitura, a administração municipal e a Câmara Municipal, por iniciativa da vereadora Bruna Magalhães, já haviam encaminhado ofícios aos órgãos responsáveis cobrando medidas de segurança. Mas "nenhuma providência concreta foi adotada", destaca o comunicado. "Além das circunstâncias que levaram à morte da jovem, é preciso apurar a responsabilidade pela falta de controle de acesso a uma área federal que, há anos, apresenta riscos conhecidos e segue sem as medidas de proteção necessárias. A Prefeitura e a Câmara vêm cobrando providências há meses para que o Governo Federal assuma sua responsabilidade. Infelizmente, a omissão federal acaba de resultar em mais uma tragédia em Limeira", disse o prefeito Murilo Félix. A Ponte do Esqueleto, que pertencia à extinta Rede Ferroviária Federal S.A. (RFFSA), está sob a guarda da Secretaria de Patrimônio da União (SPU), do Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos. O GLOBO pediu posicionamento da pasta e aguarda resposta. 'Gente, a corda' Vídeos que circulam nas redes sociais mostram o momento em que três homens carregam a mulher nos braços até a plataforma de salto e a lançam. Um corda aparece enrolada no chão, atrás do grupo. Na sequência, pessoas que estavam ao redor começam a gritar: "A corda" e "Gente, a corda". Moradora de Jandira, na Grande São Paulo, Maria Eduarda havia se formado em Educação Física e Gestão Esportiva. Nas redes sociais, costumava compartilhar registros de sua rotina, além de publicações relacionadas a atividades físicas, natureza e bem-estar. Horas depois da sua morte, no entanto, seu perfil no Instagram foi retirado do ar. Pouco antes do salto, ela chegou a publicar uma mensagem em seus stories. "Quem foi o doido que deixou eu vir pular de uma ponte?", escreveu em tom de brincadeira, às 7h31. Ela também mostrou uma placa no local que alertava para o "perigo" e o "risco de morte". A Polícia Militar e o Corpo de Bombeiros foram atender a ocorrência a partir de 9h55. A pena prevista na lei para o homicídio com dolo eventual é a mesma do homicídio doloso (com intenção direta de matar): 6 a 20 anos, se for considerado "simples", ou 12 a 30 anos, se for "qualificado" (embora a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, nos últimos anos, tenha oscilado quanto à compatibilidade de qualificadoras com o dolo eventual). O Ministério Público, no entanto, não fica vinculado à interpretação da polícia e pode desclassificar o crime para homicídio culposo (sem intenção de matar) se verificar a ocorrência de imprudência, imperícia ou negligência. Criador do rope jump também morreu A modalidade consiste em um salto em queda livre seguido pela retenção do praticante por cordas de escalada ancoradas em pontos fixos. O caso de Maria Eduarda voltou a chamar atenção para a história de seu principal criador, o americano Dan Osman. Ele ficou conhecido nos anos 1990 por combinar técnicas de escalada com saltos extremos de grandes alturas. Osman levou a prática a níveis inéditos e chegou a realizar quedas controladas superiores a 300 metros, tornando-se uma referência mundial nos esportes radicais. Mas ele morreu em um acidente relacionado à atividade que ajudou a popularizar. Em 23 de novembro de 1998, aos 35 anos, Osman realizava um salto na formação rochosa Leaning Tower, no Parque Nacional de Yosemite, na Califórnia. Durante a queda controlada, o sistema de cordas falhou, e ele despencou até a morte. A investigação conduzida pelo Serviço Nacional de Parques dos Estados Unidos concluiu que a corda principal não se rompeu por desgaste. Segundo os investigadores, uma mudança no ângulo do salto fez com que trechos das cordas, que eram ligadas por nós, se cruzassem durante a queda. O atrito gerado nesse ponto teria provocado o aquecimento e o corte do próprio equipamento, causando a falha fatal. A apuração também apontou que as cordas estavam em boas condições de conservação. Na época do acidente, Osman havia retornado a Yosemite para desmontar uma estrutura utilizada nos saltos, mas decidiu realizar novas quedas nos dias anteriores. Foi durante uma dessas tentativas que ocorreu o acidente que encerrou a trajetória de um dos nomes mais conhecidos da escalada e dos esportes de aventura. Quase três décadas depois, a modalidade voltou ao noticiário por causa da tragédia em São Paulo. Embora as circunstâncias sejam completamente diferentes, no caso de Maria Eduarda, a investigação apura um erro humano na preparação do salto, os dois episódios têm em comum falhas envolvendo o principal elemento de segurança do esporte: as cordas responsáveis por interromper a queda livre do praticante.
Rope jump: instrutores relataram 'apagão' ao lançarem jovem sem cordas de ponte em SP, diz delegada
Seis pessoas são investigadas pela morte de Maria Eduarda Rodrigues, de 21 anos; três seguem detidas
**Nota**: Questo articolo non è tech-related — è cronaca nera (incidente mortale in attività sportiva). Non rientra nella copertura di Warptech Tech News. Comunque, il riassunto in portoghese: Maria Eduarda, 21, morreu em rope jump sem corda (40m) em SP; três instrutores em custódia alegam "apagão" durante segurança. Negligência em operação informal de atividade de risco sem checagem adequada; omissão federal em controle de ponte com histórico de tragédias.
















