A prefeitura de Limeira anunciou que vai processar o governo federal após a morte de Maria Eduarda Rodrigues de Freitas, de 21 anos, durante um salto de rope jump na Ponte do Esqueleto, no interior de São Paulo, neste sábado (13). A jovem caiu de cerca de 40 metros após ser lançada sem estar devidamente conectada à corda de segurança, segundo relatos de testemunhas e informações da Polícia Militar. Pessoas presentes prestaram os primeiros socorros à vítima até a chegada do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), e os socorristas constataram a morte no local. A prefeitura de Limeira afirma que a responsabilidade pela fiscalização, pela manutenção e pelo controle de acesso à Ponte do Esqueleto "é exclusivamente do Governo Federal" e aponta omissão. "Desde o início de 2025, a administração municipal vinha adotando medidas administrativas e cobrando providências junto aos órgãos federais responsáveis pela área. A tragédia deste sábado (13), que resultou na morte de uma jovem de 21 anos, torna insustentável e inaceitável a continuidade dessa omissão", diz a nota do poder municipal. O GLOBO pediu posicionamento aos órgãos federais. Ainda de acordo com a prefeitura, a administração municipal e a Câmara Municipal, por iniciativa da vereadora Bruna Magalhães, já haviam encaminhado ofícios aos órgãos responsáveis cobrando medidas de segurança. Mas "nenhuma providência concreta foi adotada", destaca o comunicado. "Além das circunstâncias que levaram à morte da jovem, é preciso apurar a responsabilidade pela falta de controle de acesso a uma área federal que, há anos, apresenta riscos conhecidos e segue sem as medidas de proteção necessárias. A Prefeitura e a Câmara vêm cobrando providências há meses para que o Governo Federal assuma sua responsabilidade. Infelizmente, a omissão federal acaba de resultar em mais uma tragédia em Limeira", disse o prefeito Murilo Félix. Vídeos que circulam nas redes sociais mostram o momento em que três homens carregam a mulher nos braços até a plataforma de salto e a lançam. Um corda aparece enrolada no chão, atrás do grupo. Na sequência, pessoas que estavam ao redor começam a gritar: "A corda" e "Gente, a corda". Inicialmente, seis pessoas foram levadas à delegacia, mas três foram liberadas. Segundo o g1, os detidos foram identificados como Luis Felipe Feliciano Egoroff, Vitor de Freitas Gonçalves e Maicon Fernandes Cintra. O uniformes dos instrutores tinham as marcas "Ih voei" e "Entre cordas". A polícia disse que os nomes são de grupos informais de praticantes e que não há empresas oficiais por trás da operação. Suas contas no Instagram não estão mais disponíveis. Os três serão investigados por homicídio com dolo eventual — casos em que, embora o autor não tivesse a intenção direta de matar, previu que a sua conduta poderia causar a morte de alguém, mas assumiu o risco ao agir mesmo assim. A delegada Andréa Dantas Levy afirmou que a Ponte do Esqueleto é "palco de várias tragédias", inclusive envolvendo saltos. A equipe envolvida na morte de Maria Eduarda não tinha regulamentação nem autorização para estar no local, segundo ela. A investigadora destaca que o grupo "deixou de empreender o procedimento correto" e não fiscalizou a fixação da corda na vítima. — Pelo que eu apurei em sede de declaração, não existe uma empresa. É um grupo de pessoas que se conheceram através desse esporte, que acabou se reunindo e, aproximadamente há um ano, fazem esse evento em vários destinos, não só aqui em Limeira. E acabou acontecendo essa fatalidade em razão, na minha percepção, de uma falha de não verificar, não fiscalizar a colocação da corda no salto da vítima — destacou Andréa à TV Globo. A defesa dos três presos afirma que eles têm experiência na atividade e que esta foi a primeira fatalidade em anos de atuação. Moradora de Jandira, na Grande São Paulo, Maria Eduarda havia se formado em Educação Física e Gestão Esportiva. Nas redes sociais, costumava compartilhar registros de sua rotina, além de publicações relacionadas a atividades físicas, natureza e bem-estar. Horas depois da sua morte, no entanto, seu perfil no Instagram foi retirado do ar. Pouco antes do salto, ela chegou a publicar uma mensagem em seus stories. "Quem foi o doido que deixou eu vir pular de uma ponte?", escreveu em tom de brincadeira, às 7h31. Ela também mostrou uma placa no local que alertava para o "perigo" e o "risco de morte". A Polícia Militar e o Corpo de Bombeiros foram atender a ocorrência a partir de 9h55. Criador do rope jump também morreu A modalidade consiste em um salto em queda livre seguido pela retenção do praticante por cordas de escalada ancoradas em pontos fixos. O caso de Maria Eduarda voltou a chamar atenção para a história de seu principal criador, o americano Dan Osman. Ele ficou conhecido nos anos 1990 por combinar técnicas de escalada com saltos extremos de grandes alturas. Osman levou a prática a níveis inéditos e chegou a realizar quedas controladas superiores a 300 metros, tornando-se uma referência mundial nos esportes radicais. Mas ele morreu em um acidente relacionado à atividade que ajudou a popularizar. Em 23 de novembro de 1998, aos 35 anos, Osman realizava um salto na formação rochosa Leaning Tower, no Parque Nacional de Yosemite, na Califórnia. Durante a queda controlada, o sistema de cordas falhou, e ele despencou até a morte. A investigação conduzida pelo Serviço Nacional de Parques dos Estados Unidos concluiu que a corda principal não se rompeu por desgaste. Segundo os investigadores, uma mudança no ângulo do salto fez com que trechos das cordas, que eram ligadas por nós, se cruzassem durante a queda. O atrito gerado nesse ponto teria provocado o aquecimento e o corte do próprio equipamento, causando a falha fatal. A apuração também apontou que as cordas estavam em boas condições de conservação. Na época do acidente, Osman havia retornado a Yosemite para desmontar uma estrutura utilizada nos saltos, mas decidiu realizar novas quedas nos dias anteriores. Foi durante uma dessas tentativas que ocorreu o acidente que encerrou a trajetória de um dos nomes mais conhecidos da escalada e dos esportes de aventura. Quase três décadas depois, a modalidade voltou ao noticiário por causa da tragédia em São Paulo. Embora as circunstâncias sejam completamente diferentes, no caso de Maria Eduarda, a investigação apura um erro humano na preparação do salto, os dois episódios têm em comum falhas envolvendo o principal elemento de segurança do esporte: as cordas responsáveis por interromper a queda livre do praticante.
Rope jump: prefeitura diz que vai processar governo federal após morte de jovem em salto sem corda, em SP
Poder municipal de Limeira diz que houve omissão dos órgãos federais responsáveis pela fiscalização, pela manutenção e pelo controle de acesso à Ponte do Esqueleto










