Rosa Artigas tinha gosto por trabalhos manuais. Passava horas no ateliê montado no antigo quarto de um dos filhos, um refúgio voltado às suas "loucuras" com cerâmica, tecelagem, papel-machê, encadernação e outras atividades artesanais.
Era também afeita à costura. Não só a de almofadas, roupas e toalhas de mesa, mas costurava a história, ao unir aquilo que testemunhou no ambiente doméstico e o que garimpou em arquivos ao longo de décadas.
Rosa foi guardiã e difusora da memória da própria família. E, ao fazê-lo, preservou as ideias e a trajetória da Escola Paulista —vertente da arquitetura moderna reconhecida pela preocupação social e valorização do concreto, cuja maior liderança foi o seu pai, Vilanova Artigas.
Historiadora, Rosa se mobilizou para guardar o acervo deixado após a morte do pai, um dos maiores nomes da arquitetura brasileira, em 1985. Esteve à frente da criação da Fundação Vilanova Artigas, com o apoio de amigos e da mãe, a artista Virgínia Camargo Artigas, cujo legado também resgatou.
O acervo reunido em parte por Rosa foi posteriormente doado à FAU-USP (Faculdade de Arquitetura e Urbanismo), da Universidade de São Paulo, gesto celebrado no meio. O prédio da instituição é um dos principais projetos do arquiteto, assim como o estádio do Morumbi e o edifício Louveira, entre outros.






