Foram oito meses fixando cada miçanga e pérola manualmente até que a peça de 30 quilos ficasse pronta. A fantasia monumental, feita para que a filha Izaura brilhasse como destaque na escola de samba Rosas de Ouro, reluzia tanto que chamou a atenção de Joãosinho Trinta. Ao ver a obra, o carnavalesco famoso exclamou: "Isso é um absurdo".

O elogio de um dos maiores gênios dos desfiles selou o destino de Geralda França. A partir daquele vestido, ela se tornou uma das grandes mestras da costura do Carnaval de São Paulo.

Sem formação técnica, Dona Gê colocou seu dom nas agulhas, crochê e tecidos. A habilidade foi lapidada na juventude ao lado da irmã Amélia. Juntas, aprenderam os segredos do corte que, anos mais tarde, a transformariam na "madrinha" invisível das fantasias no Anhembi.

"Seu legado foi o trabalho árduo da costura e a simplicidade", define a filha, Izaura Panfili, artista plástica e presidente da Adesp (Associação dos Destaques das Escolas de Samba do Estado de São Paulo).

Nascida no interior paulista, Geralda começou costurando para fábricas. Na década de 1980, passou a produzir os figurinos coloridos do Trio Los Angeles para palcos e programas de TV, além das peças vendidas na loja do grupo musical.