Quem passou pelo Sindicato dos Servidores e Empregados Públicos Federais (Sindiserf) do Rio Grande do Sul nas últimas três décadas provavelmente conheceu Vera Rosa. A funcionária dedicada contagiava a todos. Porém, por trás de seu sorriso farto, estavam guardadas memórias de uma vida nada fácil.

Nascida em Porto Alegre em 1961, foi criada pelo avô e sua esposa porque os pais enfrentavam problemas com álcool. Como a família não tinha boas condições financeiras, precisou trabalhar ainda criança. Aos 12 anos, passou a morar e servir em "casas de família".

Passava toda a semana na labuta. Uma tia era encarregada de buscar a menina, que não sabia andar sozinha pelas ruas. Saía às sextas-feiras e voltava aos domingos cedo. Eram poucas horas de folga de uma infância perdida.

Quando ficou maior de idade, engravidou pela primeira vez, e veio a filha Patrícia. Dois anos depois, teve um menino, Ademário. Sustentou os dois sozinha com muito suor.

Após anos como faxineira e sem direitos trabalhistas, uma patroa a indicou para o sindicato, onde passou a ter carteira assinada. Foi admitida em 1º de outubro de 1993, como auxiliar de serviços gerais.