PUBLICIDADE Correspondente de guerra e escritora premiada, ela dedicou a carreira à defesa dos direitos humanos e falou sobre a importância da colonoscopia antes de morrer 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Lucia Helena Issa foi correspondente de guerra, escritora e uma das vozes brasileiras em defesa dos direitos humanos e dos refugiados — Foto: Foto Alexandre Cassiano/Agência O Globo - Arquivo - 08-11-2018 RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 13/07/2026 - 14:39 Morre Lucia Helena Issa, jornalista e defensora dos direitos humanos Morreu Lucia Helena Issa, jornalista e escritora dedicada à defesa dos direitos humanos. Ela destacou-se como correspondente de guerra, dando voz a refugiados e vítimas de conflitos, especialmente mulheres. Lucia faleceu devido a um câncer de intestino, tema que abordou em seus últimos vídeos, enfatizando a importância da colonoscopia. Seu trabalho humanitário e literário foi amplamente reconhecido, recebendo prêmios no Brasil e no exterior. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Morreu Lucia Helena Issa, jornalista e escritora reconhecida pelo trabalho como correspondente internacional e pela atuação em defesa dos direitos humanos. A profissional, que dedicou parte da carreira a revelar histórias de mulheres e crianças afetadas por conflitos e deslocamentos forçados, foi vítima de câncer no intestino. O sepultamento de Lucia Helena Issa será realizado nesta segunda-feira. A morte da jornalista foi lamentada por amigos, leitores e admiradores, que destacaram sua coragem, sensibilidade e dedicação às causas humanitárias. Em um dos últimos vídeos publicados nas redes sociais, Lucia falou sobre a importância da colonoscopia e da prevenção do câncer de intestino. O registro ganhou destaque após sua morte por reforçar uma mensagem que ela própria passou a compartilhar: a necessidade do diagnóstico precoce e do acompanhamento médico. Correspondente de guerra, Lucia ficou conhecida por transformar relatos de sofrimento em histórias de resistência e esperança. Ao longo da carreira, acompanhou conflitos internacionais e deu visibilidade a pessoas atingidas por guerras, especialmente mulheres refugiadas. Em 2001, como colaboradora do jornal Folha de S.Paulo, cobriu a guerra da antiga Iugoslávia e revelou relatos de mulheres vítimas de violência sexual usada como arma de guerra. Anos depois, esteve na Síria, onde acompanhou de perto a realidade de famílias que precisaram deixar suas casas por causa do conflito. Em 2018, em entrevista ao GLOBO-Barra, Lucia contou sobre uma das experiências que mais marcou sua trajetória: a passagem pelo campo de refugiados de Zahle, na fronteira entre a Síria e o Líbano. Durante 25 dias, ela conviveu com famílias deslocadas, dormiu em estruturas da Organização das Nações Unidas (ONU), conheceu histórias de perdas e acompanhou os sonhos de crianças e mulheres que buscavam reconstruir suas vidas. A experiência resultou também em um projeto humanitário criado pela jornalista, que reuniu apoio de amigos para arrecadar recursos destinados à compra de materiais escolares e brinquedos para crianças refugiadas. — O mais incrível é que essas mulheres, mesmo sofrendo em meio à guerra, buscam de alguma maneira prosseguir — disse Lucia ao GLOBO em 2018. Livros e reconhecimento internacional Além do jornalismo, Lucia Helena Issa levou suas experiências para a literatura. Ela era autora de livros como Quando amanhece na Sicília, sobre a luta de mulheres sicilianas contra a máfia italiana, e Filhas da esperança, obra dedicada às histórias de mulheres palestinas que vivem há décadas em campos de refugiados. A jornalista também se tornou uma das vozes brasileiras ligadas à defesa da causa palestina, participando de debates e produzindo conteúdos sobre a realidade de populações afetadas por conflitos no Oriente Médio. Seu trabalho humanitário recebeu reconhecimento no Brasil e no exterior. Em 2018, Lucia recebeu o prêmio Estrella del Sur, em Montevidéu, no Uruguai, concedido a escritores e artistas latino-americanos que desenvolvem atividades em defesa dos direitos humanos, da paz e da igualdade social. No mesmo ano, foi homenageada com a Medalha Marielle Franco, concedida pela cidade de Salvador e pelo grupo Olodum, e recebeu em Paris o título de Embaixadora da Paz, oferecido pela Divine Académie Française des Arts Lettres et Culture. Ligação com o Rio Moradora do Recreio dos Bandeirantes, na Zona Oeste do Rio, Lucia dizia ter encontrado na cidade um lugar de inspiração para escrever. Nascida em Guaratinguetá, no interior de São Paulo, ela tinha descendência sírio-libanesa e afirmava que o sobrenome Issa carregava a herança árabe-cristã da família. Em entrevista ao GLOBO, contou que gostava da tranquilidade do bairro, onde vivia próxima ao mar e à montanha. — Moro perto da montanha e do mar e isso me dá muita inspiração para escrever. Às vezes, olho pela janela e avisto uma coruja ou um sabiá. Não pretendo sair daqui por nada — afirmou na ocasião.