Quando uma pessoa mata a outra por vingança, ciúme ou dinheiro, conseguimos organizar mentalmente a história. Há um autor, uma vítima e um motivo claro. O mal aparece diante de nós de forma inteligível, e é tão fácil entender quanto punir. A punição não causa desconforto moral, a revolta tem um destinatário certo, preciso, que merece aquilo.

Tragédias como a da jovem Maria Eduarda, que morreu após saltar de rope jump, em Limeira (SP), no dia 13 de junho, despertam um impulso punitivo igualmente intenso, mas de natureza mais complexa.

O homicida que mata por dinheiro é moralmente repugnante, mas sua conduta se encaixa em categorias que conhecemos desde sempre, perfeitamente acomodadas no maniqueísmo que vemos nos filmes. Já a tragédia causada por uma falha humana nos confronta com algo muito mais desconfortável: a percepção de que um sofrimento gigantesco pode nascer não da maldade, mas de um erro.

Talvez por isso esse tipo de acontecimento desperte uma necessidade quase irresistível de punir o culpado à altura da dor provocada. Quanto maior a tragédia, maior a dificuldade em aceitar que sua origem possa estar em algo tão banal quanto um descuido, uma distração ou um procedimento não conferido.