Quantas vezes a jovem Maria Eduarda Rodrigues de Freitas, de 21 anos, será atirada da ponte do Esqueleto, em Limeira. Se depender da falta de empatia do público e da ganância de sites e páginas de entretenimento que mercantilizam o horror e transformam a tragédia em espetáculo, isso ainda vai durar muitos dias. A jovem foi morta várias vezes e de diversas formas.

Primeiro, foi vítima da negligência brutal de um país mambembe que se equilibra em puxadinhos, corrupção, obras inacabadas, leis que não funcionam e fiscalizações que não são feitas. No dia 13 de junho, instrutores a lançaram num abismo durante um salto de rope jump. Uma falha grosseira, letal, e totalmente evitável.

Mas a morte de Maria Eduarda não terminou no chão. Ela continua acontecendo nas redes, onde o luto deu lugar a crimes explícitos como atentar contra a honra da memória, apologia à violência sexual e uma nojenta incitação ao vilipêndio do seu cadáver. Bastou que a foto da garota, bonita e cheia de vida ganhasse a internet para que o esgoto digital projetasse nela fantasias abjetas, ignorando a tragédia. Esse sadismo não se restringe a grupos de red pill, nasce do homem comum, que enxerga no corpo feminino, mesmo sem vida, um objeto de abuso e de descarte.