PUBLICIDADE Como Paola Stefany responde por latrocínio, e não como crime doloso contra a vida, o caso não se enquadra nas hipóteses previstas e deverá ser julgado por uma vara criminal comum 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Paola Cirino foi presa sob acusação de matar casal de idosos em BH — Foto: PCMG//Reprodução Redes Sociais RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 10/07/2026 - 09:47 Diarista que matou idosos em BH será julgada por vara comum Paola Stefany Neto Cirino, diarista que confessou ter matado um casal de idosos em Belo Horizonte, não será julgada pelo Tribunal do Júri, mas por uma vara criminal comum, pois responde por latrocínio, crime patrimonial. A decisão foi da juíza Ana Carolina Rauen Lopes de Souza. A defesa alega insanidade mental, citando confusão mental e lapsos de memória de Paola, que já possui histórico de atendimentos psiquiátricos. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO A diarista Paola Stefany Neto Cirino, que confessou ter matado o casal de idosos formado pelo advogado Cláudio Atala Inácio, de 75 anos, e pela empresária Maria Clotilde Moreira Maciel Atala Inácio, de 76, não será julgada pelo Tribunal do Júri. A decisão foi publicada na quinta-feira (9) pela juíza Ana Carolina Rauen Lopes de Souza, da 1ª Vara do Tribunal do Júri da comarca de Belo Horizonte. Paola Stefany foi presa na madrugada de quinta-feira (2), em Itabira, na Região Central de Minas Gerais, dias após sedar e matar o casal de idosos a facadas. Além disso, roubou jóias, dinheiro e outros bens do apartamento de luxo, e vendeu os relógios subtraídos, avaliados em R$ 108 mil. Responsável pela primeira fase dos processos envolvendo crimes dolosos contra a vida, etapa em que é definido se o réu será submetido a julgamento pelo Tribunal do Júri, a magistrada declarou a incompetência do tribunal para analisar o caso. Na decisão, ela afirmou que o delito "não se enquadra em nenhuma das hipóteses previstas no artigo 74, § 1º, do Código de Processo Penal (CPP)". Com isso, a juíza encaminhou o processo à Vara de Garantias, que deverá determinar a remessa do caso para uma vara criminal comum. O que diz o artigo Na decisão, a magistrada citou o artigo 74, § 1º, do Código de Processo Penal, que define quais crimes devem ser julgados pelo Tribunal do Júri. O dispositivo prevê que cabe ao júri analisar os chamados crimes dolosos contra a vida, como homicídio, induzimento, instigação ou auxílio ao suicídio, infanticídio e os crimes de aborto previstos no Código Penal. Como Paola Stefany responde por latrocínio — morte seguida de roubo —, crime classificado como patrimonial, e não como crime doloso contra a vida, o caso não se enquadra nas hipóteses previstas pelo artigo. Veja a cronologia do crime Segunda-feira (29) Por volta das 7h20, a diarista chegou ao apartamento de Cláudio e Maria Clotilde, na região centro-sul de BH, para fazer um serviço de faxina, indicada por um primo da empresária;Segundo a investigação, o crime ocorreu no horário do almoço, entre 12h30 e 15h, pois, por volta das 12h25, Cláudio conversou por telefone com um familiar;Segundo o delegado Gustavo Barletta, Paola pegou remédios dela usados contra depressão, colocou quatro comprimidos do "calmante fortíssimo" em um suco e serviu ao casalEles começaram a adormecer cerca de 30 a 40 minutos depois;A diarista foi até o quarto e viu que Cláudio estava sonolento, mas ainda acordado;Ela pegou uma faca na cozinha e desferiu golpes no idoso. Posteriormente, fez o mesmo com a idosa, que estava na sala;O idoso sofreu 17 golpes no tórax e tinha marcas no rosto, pescoço, costas e nuca; o perito estimou que ele levou mais de 40 facadas;Maria Clotilde sofreu "diversos" golpes de faca. A quantidade exata não foi divulgada, pois os laudos periciais precisam ser concluídos;Paola trocou de roupas, furtou joias, relógios, roupas e dinheiro do casal;Ela limpou a faca utilizada no crime e a guardou;Imagens de câmeras do prédio mostram ela entrando no edifício às 7h30 e saindo às 15h30 com duas sacolas e uma bolsa;Roupas com manchas de sangue foram localizadas numa caçamba de lixo;A mulher pegou um carro de aplicativo, que a levou até a Praça Sete, na região central de BH; O motorista prestou depoimento e comprovou que não teve qualquer envolvimento;Ela vendeu os relógios de luxo roubados, avaliados em R$ 108 mil, na região da Praça Sete;Paola voltou para casa em Ribeirão das Neves, na região metropolitana, na noite de segunda, com uma mochila preta e o filho, uma criança; Terça-feira (30) Sem conseguir contato com os pais desde o dia anterior, o filho foi até o apartamento e encontrou o casal morto;Paola deixou a sua residência e seguiu rumo a Belo Horizonte, onde se hospedou num hotel do bairro Savassi; Quarta-feira (1) Paola foi a cidade de Itabira com o filho;Após a polícia identificar a diarista como suspeita do crime, a tia de Paola fez um apelo público para que ela se entregasse;Os idosos foram enterrados em Belo Horizonte; Quinta-feira (2) Na madrugada, a polícia prendeu Paola em um hotel de Itabira. Ela estava com o filho;Paola confessou o crime e disse que já esperava ser encontrada devido à repercussão do caso;A diarista foi levada para a delegacia em Belo Horizonte e encaminhada ao Instituto Médico-Legal (IML), para realizar exame de corpo de delito;A defesa de Paola entrou no caso;Os relógios pertencentes às vítimas foram localizados e devolvidos à Polícia pelo comprador; Sexta-feira (3) A mulher está presa e passará por audiência de custódia a tarde. Defesa alega 'insanidade mental' A defesa da diarista informou que irá solicitar à Justiça a instauração de um “incidente de insanidade mental”, de acordo com o g1. Segundo o advogado da diarista, Bruno Corrêa, Paola tem apresentado “confusão mental, lapsos de memória e pensamentos suicidas”. A afirmação ocorreu após a Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) realizar, na quarta-feira (8), a simulação da cena do assassinato a facadas do casal de idosos. A diarista participou da reconstituição, que durou cerca de duas horas, para esclarecer como o crime ocorreu e a dinâmica dos assassinatos. De acordo com a defesa, Paola possui histórico de atendimentos em unidades de saúde, como o Hospital André Luiz, o Caps III de Ribeirão das Neves e um posto de saúde do município. — Em diversos momentos, nós tivemos que pausar a reprodução para ela se recuperar, para recordar o que aconteceu. Em diversos momentos, houve confusão. Ela não conseguiu explicar de forma clara, inequívoca o que aconteceu dentro do apartamento. [...] Tudo leva a crer que ela possui um histórico sensível em relação à saúde mental — afirmou o advogado em entrevista à imprensa.
Diarista que confessou matar casal de idosos a facadas em BH não irá a Tribunal do Júri; entenda
Como Paola Stefany responde por latrocínio, e não como crime doloso contra a vida, o caso não se enquadra nas hipóteses previstas e deverá ser julgado por uma vara criminal comum







