Há cinco anos, meu filho foi morto e ainda preciso lutar por justiça. Para além da controvérsia jurídica que se inscreveu na história do direito brasileiro, o júri concluído na semana passada eterniza a atrocidade de um homicídio triplamente qualificado e da reiterada tortura contra uma criança de quatro anos. A sentença, que nem sequer citou a vítima, condena a memória de Henry Borel a continuar ferida aberta para a família e toda a sociedade.

Em 7 de março de 2021, entreguei meu menino vivo nos braços da mãe e, horas depois, o encontrei cadavérico em um leito de hospital, repleto de hematomas. Não era mais o Henry alegre e amoroso que existia em vida. Daquele dia até hoje, tenho que batalhar para que o Estado cumpra a lei e assegure a responsabilização pelo crime —desde a realização da necrópsia, que o padrasto queria barrar por meio de pressão política, até o júri, que, mesmo após cinco anos, deveria ser idôneo e imparcial.

Foram longos 11 dias de depoimentos e debates que seguiam até a madrugada, no Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro. Delegados, peritos legistas, médicos, babá, cabeleireira, manicure, ex-namoradas do padrasto Jairo Souza Santos Júnior, o Jairinho, e Kaylane de Oliveira Duarte Pereira, 18, que fora torturada pelo acusado quando criança, relataram o que viram e viveram. Os sete jurados, pessoas da sociedade sorteadas, mantiveram-se atentos a todas as provas, discursos, embates e contradições.