Diante do tarifaço de Trump, o governo comete um duplo erro conceitual. Reunindo-se apenas com os setores econômicos diretamente afetados, define a nação como uma "condomínio de setores", quando as tarifas punitivas atingem o conjunto da economia –ou seja, a renda e os empregos de todos. Oferecendo crédito subsidiado e renúncia tributária como compensação, reforça nosso histórico protecionismo, cobrando dos brasileiros o preço da ineficiência da maioria dos setores mais tarifados.
A globalização não acabou: Trump a desloca para longe dos EUA. O tarifaço exige respostas estruturais, que se estendem da redução da taxa de juros (via equilíbrio fiscal de verdade) até abertura comercial (via redução de tarifas de importação) para estimular a competitividade, diversificar intercâmbios externos e multiplicar acordos de comércio.
Há, porém, o horizonte imediato. Que ninguém se engane com papo furado: a negociação terminou. Reabri-la requer reação nacional capaz de causar dor nos EUA.
Não é reciprocidade simétrica (tarifas sobre bens importados dos EUA), que atingiriam bens de capital essenciais à modernização industrial brasileira, causando danos insignificantes à superpotência. É retaliação assimétrica espelhada, nos moldes sugeridos por Monica de Bolle e Philip Yang (shorturl.at/dwTux).
















