Investidor buscou diretamente na origem fabricantes internacionais de equipamento farmacêutico que ainda não tinham qualquer presença formal no mercado brasileiro. Renato de Castro Longo Furtado Vianna — Foto: Divulgação Encontrar fornecedores globais que nenhuma empresa brasileira havia trazido para o país costuma ser um dos caminhos mais eficazes para acelerar o acesso à tecnologia que, de outra forma, levaria anos para chegar por conta própria. Foi com esse objetivo que o empresário e investidor Renato de Castro Longo Furtado Vianna realizou uma missão à China dedicada a mapear soluções ainda pouco exploradas para o setor farmacêutico nacional, segmento que segue estruturalmente dependente de equipamento importado para processos de maior complexidade técnica. O resultado dessa viagem foi a aproximação com duas fabricantes de peso no mercado global de equipamento farmacêutico: a SHINVA, companhia chinesa com décadas de atuação no setor, especializada em soluções para produção de medicamentos injetáveis, e a SMA, joint-venture entre a fabricante italiana IMA e a própria SHINVA, com foco em equipamentos para medicamentos sólidos. A parceria já opera no Brasil por meio de uma empresa nacional de engenharia à qual o investidor está diretamente ligado. Um tipo de investimento que foge do padrão mais comum A maioria dos investidores brasileiros costuma esperar que tecnologia estrangeira relevante chegue ao país por iniciativa dos próprios fabricantes, em vez de buscar ativamente esse tipo de parceria no exterior. Renato de Castro Longo Furtado Vianna seguiu caminho inverso: qualificar diretamente, na origem, fornecedores que ainda nenhuma empresa nacional havia trazido para operar formalmente no Brasil. Esse tipo de movimento costuma receber menos atenção do que uma fusão ou aquisição tradicional, mas pode ter efeito real sobre a capacidade produtiva de um setor inteiro, ao trazer para dentro do país tecnologia antes concentrada em negociação internacional isolada. Automação e assepsia como foco estratégico da busca As soluções identificadas nessa aproximação estavam concentradas em automação, assepsia e manufatura de medicamentos sólidos e injetáveis, áreas nas quais o Brasil ainda depende fortemente de importação. Reunir fabricantes com essas duas especialidades permite cobrir boa parte da tecnologia usada na fabricação industrial de remédios, do laboratório piloto à produção em escala plena. Renato de Castro Longo Furtado Vianna enxerga nesse tipo de tecnologia um salto de qualidade para plantas industriais brasileiras que buscam crescer sem abrir mão de padrões internacionais de precisão, fator que tende a pesar cada vez mais na análise de investidores que já observam o setor de saúde como candidato a consolidação nos próximos anos. Retorno que amadurece ao longo do tempo Diferente de operações voltadas a ganho de curto prazo, investir na qualificação de fornecedores internacionais é aposta que só se paga conforme essa tecnologia se integra a projetos industriais concretos dentro do país. Esse tipo de retorno não vem de uma transação isolada, mas da posição que a empresa nacional passa a ocupar como canal de acesso a essa tecnologia dentro do mercado interno. Essa lógica de capital paciente tende a se consolidar como diferencial competitivo justamente em setores que dependem de tecnologia estrangeira de difícil acesso, como o farmacêutico. Um caminho de investimento fora do padrão mais comum Essa aproximação com fabricantes internacionais ilustra uma forma de investir que foge do modelo mais tradicional de comprar participação em empresas já estabelecidas. Ao dedicar tempo e recursos à qualificação direta de fornecedores internacionais, o investidor aposta em uma forma de gerar valor que depende menos do calendário do mercado financeiro e mais da capacidade de antecipar uma demanda que deve crescer à medida que o setor farmacêutico brasileiro busca reduzir sua dependência de equipamento importado de alta complexidade.
Renato de Castro Longo Furtado Vianna negocia, na China, acesso a tecnologia farmacêutica de ponta ainda ausente do Brasil
Investidor buscou diretamente na origem fabricantes internacionais de equipamento farmacêutico que ainda não tinham qualquer presença formal no mercado brasileiro.











