Missão à China resultou em parceria que amplia o acesso de laboratórios oficiais a equipamentos de automação e manufatura usados por indústrias farmacêuticas de grande porte. 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Renato de Castro Longo Furtado Vianna — Foto: Divulgação Laboratórios públicos e fábricas oficiais responsáveis por produzir parte dos medicamentos usados no sistema de saúde brasileiro costumam enfrentar mais dificuldade para acessar equipamento de ponta do que empresas privadas do setor. Fabricantes internacionais tendem a priorizar negociação com companhias privadas, geralmente mais ágeis na decisão de compra, o que pode deixar instituições públicas dependentes de processos de aquisição mais lentos ou de tecnologia menos atualizada. Foi com foco em reduzir essa distância que o empresário e investidor Renato de Castro Longo Furtado Vianna foi à China buscar fabricantes de equipamento farmacêutico ainda sem presença formal no Brasil. O resultado foi a aproximação com a SHINVA, companhia chinesa especializada em tecnologia para produção de medicamentos injetáveis, e com a SMA, joint-venture formada entre ela e a fabricante italiana IMA, voltada a equipamentos para medicamentos sólidos. Por que o setor público costuma ficar para trás nesse tipo de negociação? Comprar equipamento farmacêutico de alta complexidade envolve processos de aquisição mais demorados quando o comprador é uma instituição pública, já que exigências de transparência e prestação de contas tornam a negociação naturalmente mais lenta do que uma compra privada. Isso faz com que fabricantes internacionais, ao decidir onde concentrar esforço comercial, tendam a priorizar clientes privados, capazes de fechar negócio com mais agilidade. Esse padrão ajuda a explicar por que laboratórios oficiais brasileiros, responsáveis por produzir parte dos medicamentos distribuídos à população, muitas vezes operam com tecnologia menos atualizada do que a disponível no mercado privado, mesmo fabricando produtos igualmente destinados aos cidadãos. Uma parceria pensada com o setor público em mente A aproximação buscada por Renato de Castro Longo Furtado Vianna teve como um dos focos justamente ampliar o acesso do mercado farmacêutico público brasileiro a esse tipo de tecnologia, e não apenas atender demanda de empresas privadas. Isso significa que laboratórios oficiais passam a ter, dentro do país, um canal de negociação e suporte técnico que antes dependia de contato direto com fabricantes do outro lado do mundo. Ter esse tipo de suporte disponível localmente tende a facilitar tanto a compra quanto a manutenção de longo prazo desses equipamentos, já que instituições públicas costumam operar com orçamento mais restrito para lidar com imprevistos técnicos vindos de negociação internacional isolada. O que está em jogo quando a fábrica é pública? Quando uma fábrica pública de medicamentos enfrenta limitação de equipamento, o efeito não fica restrito à instituição em si: pode significar menos capacidade de produção de determinado remédio, maior dependência de importação, ou demora para incorporar tecnologia mais avançada de fabricação. Ampliar o acesso do setor público a esse tipo de equipamento tem, portanto, efeito que se estende à disponibilidade de medicamentos para quem depende do sistema público de saúde. Renato de Castro Longo Furtado Vianna trata essa aproximação como parte de um esforço que vai além de uma negociação comercial isolada, já que envolve a capacidade produtiva de instituições que atendem diretamente a população brasileira. Uma tecnologia que também passa a chegar ao setor público O mercado farmacêutico privado costuma ser o primeiro a ter acesso a equipamento de ponta, enquanto instituições públicas levam mais tempo para modernizar sua própria capacidade produtiva. A missão de Renato de Castro Longo Furtado Vianna à China buscou reduzir parte dessa defasagem, ampliando o alcance dessa tecnologia também ao setor público brasileiro.