O Brasil assinou dois acordos ligados a novas tecnologias de prevenção ao HIV. No entanto, segue sem acesso ao que hoje é considerado a principal ferramenta de profilaxia pré-exposição (PrEP) no mundo — o lenacapavir, injetável semestral da Gilead —, depois de negociações que não resultaram em redução de preço pela farmacêutica.
Nesta terça (28), foi assinado um memorando entre a Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz) e a farmacêutica MSD Brasil, envolvendo o alimatravir (MK-8527). Na segunda (27), o ministro Alexandre Padilha (Saúde) anunciou um acordo entre a pasta e a ViiV Healthcare, para a incorporação do cabotegravir ao SUS, após análise da Conitec (comissão de incorporação de novas tecnologias no SUS).
Sociedade civil cobra plano para o lenacapavir e critica falta de transparência nas negociações do governo com farmacêuticas - Cláudia Collucci/Folhapress
O alimatravir é candidato a PrEP oral mensal de uma nova classe de antirretrovirais, hoje em estudos globais de fase 3 com participação de centros brasileiros. O texto do acordo condiciona qualquer ampliação de acesso a resultados positivos da fase 3 e a aprovação regulatória—não garante, por ora, preço nem fornecimento ao SUS.
"A Fiocruz e a MSD se propõem a cooperar na validação clínica dessa nova molécula e também discutir bases comerciais e tecnológicas para a nacionalização da sua produção", disse o presidente da Fiocruz, Mario Moreira. O vice-presidente da MSD Brasil, Renan Ozyerli, chamou o memorando de "um passo importante para avaliar caminhos" que possam, no futuro, levar o medicamento à população brasileira e latino-americana.












