O anúncio foi feito nesta segunda-feira (27) pelo ministro da Saúde, Alexandre Padilha, durante a Conferência Internacional de Aids, que acontece nesta semana no Rio de Janeiro. Segundo Padilha, o laboratório responsável pelo medicamento apresentou ao governo brasileiro um preço considerado adequado. O ministro não informou o valor negociado. ➡️ A apresentação do pedido, contudo, não significa que a injeção será imediatamente oferecida na rede pública. A Conitec ainda deverá avaliar as evidências científicas, os custos e o impacto da possível incorporação antes de fazer uma recomendação ao Ministério da Saúde. Diferentemente da PrEP disponível atualmente no SUS, que exige o uso de comprimidos, o cabotegravir é aplicado por meio de uma injeção a cada dois meses. Ele foi aprovado em 2023 pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). A PrEP injetável é considerada a uma inovação para prevenção do HIV, já que ainda não há uma vacina disponível contra o vírus. O objetivo da PrEP é preparar o corpo para enfrentar um possível contato com o HIV – como uma relação sexual em que há risco de contato com o vírus, por exemplo. Governo critica preço de injeção semestral Ao anunciar o envio do cabotegravir à Conitec, o ministro da Saúde também criticou as condições apresentadas para a compra do lenacapavir, outra injeção usada na prevenção do HIV. Diferentemente do cabotegravir, o lenacapavir precisa ser administrado apenas duas vezes por ano. Segundo Padilha, o governo tentou negociar o fornecimento da injeção semestral ao SUS, mas não chegou a um acordo com a fabricante. O ministro afirmou que o Brasil se dispôs a pagar até dez vezes o valor oferecido a países de perfil econômico semelhante, como Indonésia e Tailândia, mas a proposta não foi aceita pela empresa. “Inovação sem acesso é injustiça. Nós vemos com muita esperança as novas tecnologias de medicações injetáveis, de profilaxia prolongada do HIV e da Aids, mas exigimos que elas sejam oferecidas, sobretudo para os sistemas nacionais de saúde, com preços adequados, não preços estratosféricos”, afirmou. Padilha disse que o governo não pretende avançar na incorporação do lenacapavir enquanto o preço apresentado for considerado incompatível com a capacidade de pagamento do sistema público. “Não vamos drenar o recurso que é fruto dos impostos dos cidadãos brasileiros para o interesse de lucro de uma empresa apenas”, declarou. O ministro não informou quais valores foram apresentados durante a negociação nem qual seria o preço considerado aceitável pelo Ministério da Saúde. Qual a diferença para os remédios atuais? As diferenças entre o cabotegravir e os medicamentos existentes hoje são, basicamente, duas: o novo remédio é injetável e de ação prolongada. A principal vantagem disso é uma melhor adesão ao tratamento e à comodidade de tomar um remédio que faça efeito a médio e longo prazo. As duas primeiras doses são aplicadas com quatro semanas de intervalo, seguidas de uma injeção a cada oito semanas. As aplicações são intramusculares na região dos glúteos.Os medicamentos usados hoje para prevenir o HIV, em terapias conhecidas como profilaxia de pré-exposição (PrEP), são de uso oral e precisam ser tomados todos os dias para ter efeito. O cabotegravir mostrou-se "seguro e altamente eficaz" em dois testes clínicos com mulheres, homens que fazem sexo com homens (HSH) e mulheres trans que fazem sexo com homens. Os estudos foram feitos, inclusive, no Brasil – em São Paulo, Rio de Janeiro e Porto Alegre. Após os ensaios, os pesquisadores concluiram que a eficácia do cabotegravir é 69% maior em comparação com os comprimidos orais diários.