Gerando resumoOs ataques da milícia iemenita houthi a navios que viajam de e para a Arábia Saudita pelo Mar Vermelho devem desestabilizar mais uma vez os mercados globais de petróleo, comprometendo uma importante rota alternativa para o Estreito de Ormuz.A maior parte desse petróleo chega ao mercado através do estreito de Bab el-Mandab, na extremidade sul do Mar Vermelho, ao largo da costa do Iémen e perto do território controlado pela milícia Houthi, apoiada pelo Irã. PublicidadeUma porção menor segue para norte, até ao Mar Mediterrâneo, através de um oleoduto que atravessa o Egito ou, no caso de combustíveis derivados do petróleo, através do Canal de Suez.Qualquer interrupção nessas alternativas restringiria ainda mais o fornecimento de petróleo e combustíveis a um mercado já abalado por novos ataques a embarcações no Golfo Pérsico. As ameaças já parecem estar surtindo efeito. Dois petroleiros, o Rodos e o Xin Long Yang, que se dirigiam para o Estreito de Bab el-Mandeb, deram meia-volta na terça-feira, segundo a empresa de dados marítimos Kpler.PublicidadeO mercado começa a demonstrar alguma ansiedade, mas os movimentos têm sido moderados. O petróleo era negociado em torno de US$ 95 o barril na quarta-feira, uma alta de alguns dólares desde a ameaça da milícia. Nesta manhã, passou de US$ 100. Os riscos são graves, no entanto. Se os houthis conseguirem bloquear completamente o acesso da Arábia Saudita ao Mar Vermelho, eles retirariam cerca de 4% do petróleo mundial do mercado global. Essa estimativa, baseada em dados de navegação da Kpler, seria adicional à atual perda de fornecimento pelo Estreito de Ormuz.PublicidadeDada a proximidade dos houthis ao Estreito de Bab el-Mandab, presumivelmente seria mais fácil para eles interromper o tráfego marítimo ali. A Arábia Saudita tem usado esse ponto estratégico para exportar cerca de 3,6 milhões de barris de petróleo e combustíveis por dia, principalmente para a Ásia, segundo a Kpler. Esse número representa um aumento em relação aos níveis muito baixos anteriores à guerra, quando quase todas as exportações sauditas passavam pelo Estreito de Ormuz.PublicidadePUBLICIDADEAgora, os Estados Unidos e o Irã estão patrulhando essa hidrovia, que se tornou muito mais perigosa e menos confiável.Embora o oleoduto que atravessa o nordeste do Egito e o Canal de Suez apresentem alternativas para o transporte de petróleo e combustíveis sauditas, eles não são tão atraentes quanto o Estreito de Ormuz ou o Estreito de Bab el-Mandeb.Existem alguns motivos para isso, principalmente o fato de que levaria muito mais tempo e seria muito mais caro enviar petróleo para a Ásia dessa forma. Navios muito grandes usados para transportar petróleo bruto não podem usar o Canal de Suez, pelo menos não quando estão carregados e pesados. PublicidadeAlém disso, o oleoduto egípcio não comporta todo o petróleo que a Arábia Saudita tem transportado pelo Estreito de Bab el-Mandeb. Ademais, levaria mais quatro semanas para chegar à Ásia pelo Mar Mediterrâneo, pois os navios teriam que contornar a África.Estudantes universitários caminham sobre representações das bandeiras dos EUA, de Israel e do Reino Unido durante uma manifestação de apoio ao movimento Houthi Foto: MOHAMMED HUWAIS /AFP
Entenda em mapas e infográficos como um novo estreito pode complicar ainda mais a guerra no Irã
Desde as primeiras semanas da guerra com o Irã, a Arábia Saudita tem dependido de um oleoduto que divide o país ao meio para redirecionar milhões de barris de petróleo do Golfo Pérsico para o Mar Vermelho











