Duas embarcações que haviam carregado nesta semana petróleo saudita com destino à China e à Índia fizeram meia-volta no Mar Vermleho e seguiam em direção a Suez Uma imagem de satélite mostra o Estreito de Bab el-Mandeb, uma importante via navegável e porta de entrada para o Mar Vermelho, enquanto o Irã ameaça usar seus aliados houthis no Iêmen para fechar o estreito — Foto: NASA Worldview/Divulgação via REUTERS. Dois petroleiros que transportavam petróleo saudita para a Ásia mudaram de direção no Mar Vermelho nesta terça-feira após ameaças dos houthis do Iêmen, grupo alinhado ao Irã, à medida que a ampliação do conflito no Oriente Médio afetava a navegação por dois dos mais importantes gargalos mundiais para o comércio de energia. Os desvios ocorreram enquanto forças americanas bombardearam durante a noite alvos no sul e no oeste do Irã, Teerã atacou instalações dos Estados Unidos no Bahrein, no Kuwait e na Jordânia, e ao menos um petroleiro foi atingido no Estreito de Ormuz, na mais recente escalada de violência, que praticamente destruiu um acordo provisório de paz assinado no mês passado. Os houthis anunciaram na segunda-feira um bloqueio naval contra a Arábia Saudita, abrindo uma possível nova frente na guerra e ampliando a ameaça ao abastecimento global de energia e ao comércio para além do Golfo. Os dois petroleiros, que haviam carregado nesta semana petróleo saudita com destino à China e à Índia, fizeram meia-volta e seguiam em direção ao Canal de Suez, mostraram dados de navegação da Lseg. Fontes disseram, no entanto, que o porto saudita de Yanbu, no Mar Vermelho, operava normalmente. Os preços do petróleo subiram cerca de 2% após os ataques mais recentes, mas sinais de que Teerã e Washington querem retomar a diplomacia ajudaram a limitar os ganhos. O Comando Central dos Estados Unidos (Centcom) informou que atingiu centros de comando militar iranianos, capacidades marítimas, locais de lançamento de mísseis e drones e sistemas de defesa aérea em sua mais recente rodada de ataques. Explosões foram ouvidas nos arredores da cidade de Shiraz, no sul do Irã, segundo a mídia estatal. Konarak e Chabahar, na costa sul, a cidade de Khorramabad e uma instalação civil nos arredores de Abdanan, ambas no oeste do país, também foram atacadas, de acordo com relatos da imprensa. Mais tarde, a agência de notícias Irna citou uma autoridade de Khorramabad dizendo que não havia ocorrido nenhum ataque inimigo na região. Cinquenta civis morreram e 500 ficaram feridos nos recentes ataques americanos ao Irã, disse uma autoridade do Ministério da Saúde. A agência britânica de segurança marítima UKMTO informou nesta terça-feira que um petroleiro no Estreito de Ormuz relatou ter sido atingido por um projétil, levando a tripulação a abandonar a embarcação e embarcar em um bote salva-vidas. A Guarda Revolucionária do Irã (IRGC, na sigla em inglês) também disse que dois petroleiros pegaram fogo após explosões enquanto tentavam atravessar a faixa de navegação sul do estreito, por onde normalmente passa um quinto do fornecimento mundial de petróleo e gás natural liquefeito. Apenas quatro navios de carga atravessaram o estreito na segunda-feira, a maioria pela rota marítima do norte, próxima à costa iraniana, abaixo dos sete registrados no dia anterior, segundo dados da Kpler. O Irã vinha pressionando os houthis a fechar o Bab el-Mandeb, acesso ao Mar Vermelho, caso os Estados Unidos continuassem atacando a infraestrutura elétrica iraniana, colocando em risco duas das artérias energéticas mais importantes do mundo. Um fechamento total do Bab el-Mandeb poderia reduzir em 7% a oferta global de petróleo, pois impediria que a maior parte das exportações sauditas deixasse a região, somando-se à queda de 10% nos fluxos de petróleo provocada pela guerra no Golfo.