Pequim busca manter o fluxo de exportações de petróleo a partir dos terminais sauditas na região para ajudar a compensar a redução da oferta provocada pelo fechamento de Ormuz Barcos flutuam perto da costa de Bab el-Mandeb, Iêmen, 2 de abril de 2026 — Foto: REUTERS/Foto de Arquivo A China manteve conversas diretas com o movimento houthi do Iêmen para permitir que seus petroleiros naveguem pelo sul do Mar Vermelho sem serem atacados, depois que a milícia alinhada ao Irã prometeu impedir o acesso a portos sauditas, disseram seis fontes com conhecimento do assunto. Os houthis anunciaram o bloqueio em 20 de julho, abrindo uma nova frente contra os Estados Unidos e seus aliados na guerra com o Irã e ampliando os ataques contra petroleiros que transportam petróleo e outras cargas para mercados além do Oriente Médio. Pequim pediu diretamente aos houthis que garantam passagem segura para seus petroleiros, segundo as fontes, entre as quais um alto funcionário iraniano. A China foi um dos primeiros países a entrar em contato diretamente com os houthis sobre a navegação pelo estreito de Bab el-Mandeb, na extremidade sul do Mar Vermelho, com o Iêmen em sua margem leste, disseram as fontes, que pediram anonimato devido à sensibilidade do tema. Pequim busca manter o fluxo de exportações de petróleo a partir dos terminais sauditas no Mar Vermelho, principalmente Yanbu, para ajudar a compensar a redução da oferta provocada pelo fechamento de fato do Estreito de Ormuz pelo Irã, na saída do Golfo. O Ministério dos Transportes da China, o escritório de imprensa dos houthis e o Ministério das Relações Exteriores do Irã não responderam imediatamente aos pedidos de comentário. Pelo menos quatro petroleiros carregaram petróleo bruto em portos sauditas com destino à China e atravessaram Bab el-Mandeb desde que os houthis anunciaram as restrições, segundo análise da Kpler e dados de rastreamento de navios da Lseg e da MarineTraffic. Autoridades chinesas negociaram individualmente a passagem de cada embarcação com os houthis, disse uma das fontes. Ambos os lados informaram Teerã sobre essas tratativas, afirmaram dois integrantes de governos da região que foram informados pela República Islâmica. Os houthis disseram a empresas internacionais de navegação, em um email, que embarcações poderão ser atacadas caso carreguem ou descarreguem cargas em portos da Arábia Saudita. Alguns petroleiros que tentavam entrar no Mar Vermelho por Bab el-Mandeb mudaram de rota devido a preocupações com a segurança, disseram duas fontes chinesas do setor de comércio. Os superpetroleiros New Champion e New Prime retornaram do Golfo de Áden para águas abertas, segundo análise da Lloyd's List Intelligence e dados de rastreamento da MarineTraffic. O New Champion deveria atracar em Yanbu para carregar petróleo, enquanto o New Prime já estava carregado, de acordo com a Kpler, outras bases de dados do setor e informações de rastreamento de navios. A Associated Maritime, empresa sediada em Hong Kong que opera os dois navios, não respondeu imediatamente a um pedido de comentário. Os houthis afirmaram na semana passada ter realizado ataques com mísseis e drones contra os petroleiros sauditas Encelia e Layla. Fontes da área de segurança marítima confirmaram o ataque ao Encelia, mas a Reuters não conseguiu confirmar de forma independente o ataque ao Layla. Uma viagem de Yanbu até a Ásia, passando por Bab el-Mandeb, leva em média 16 dias. Se a embarcação seguir rumo ao norte em direção ao Canal de Suez e depois contornar a África pelo oeste e pelo sul, a viagem dura cerca de 50 dias. Os houthis mantêm boas relações com a China e, no passado, houve estreita coordenação entre ambos, especialmente em relação aos embarques de petróleo da Arábia Saudita para a China, disseram à Reuters duas fontes próximas ao grupo.
China mantém contato com houthis para garantir passagem de navios pelo Mar Vermelho
Pequim busca manter o fluxo de exportações de petróleo a partir dos terminais sauditas na região para ajudar a compensar a redução da oferta provocada pelo fechamento de Ormuz














