Objetivo da medida seria normalizar a prática de cobrar taxas em hidrovias internacionais e aumentar a pressão sobre os Estados Unidos Superpetroleiro chinês durante passagem pelo Estreito de Bab el-Mandeb, porta de entrada no Mar Vermelho — Foto: Vladimir Tonic/Handout via Reuters/Arquivo Os houthis do Iêmen, aliados do Irã, estão considerando impor taxas a navios comerciais que navegam pelo sul do Mar Vermelho, uma semana depois de declarar um bloqueio marítimo contra a Arábia Saudita, o que abriu uma nova frente na guerra no Oriente Médio iniciada por Estados Unidos e Israel em fevereiro. Fontes regionais com conhecimento do assunto disseram à agência Reuters que os houthis estudam impor taxas à maior parte do tráfego que passa pelo Estreito de Bab el-Mandeb, passagem que liga o sul do Mar Vermelho ao Golfo de Áden. Elas acrescentaram que, por enquanto, não há um cronograma para a implementação da medida. Autoridades houthis viajaram ao Irã em julho para a cerimônia fúnebre do falecido líder supremo, aiatolá Ali Khamenei, ocasião em que autoridades iranianas discutiram com elas a possibilidade de cobrar taxas pelo trânsito no estreito de Bab el-Mandeb, segundo disseram à Reuters duas autoridades regionais informadas por Teerã. O objetivo da medida, segundo a fonte, seria normalizar a prática de cobrar taxas em hidrovias internacionais e aumentar a pressão sobre os Estados Unidos. Navios chineses ficariam isentos dessas cobranças, e os houthis apoiam esse arranjo, acrescentaram. A China manteve conversas diretas com os houthis para permitir que seus navios-tanque atravessem o sul do Mar Vermelho sem serem atacados, disseram fontes à Reuters. O país é o maior comprador mundial de petróleo da Arábia Saudita. Autoridades houthis que retornaram de avião de Teerã estavam acompanhadas por assessores iranianos encarregados de orientá-las na criação de uma possível autoridade para regulamentar a cobrança de taxas no estreito de Bab el-Mandeb, disse uma autoridade árabe da região. "Os houthis tentarão assumir o controle sobre o Mar Vermelho e cobrar dos navios se conseguirem fazê-lo", disse à Reuters Afrah al-Zouba, ministro das Relações Exteriores designado pelo governo internacionalmente reconhecido do Iêmen e apoiado pela Arábia Saudita. Segundo dois diplomatas ocidentais, a medida enfrentaria forte oposição dos países do Golfo e da Europa, embora as forças navais internacionais, sobrecarregadas, atualmente não consigam oferecer proteção suficiente à navegação mercante e haja pouca disposição política para mudar essa situação. Teerã descartou a proposta de Omã para uma gestão regional conjunta do Estreito de Ormuz, que incluiria a cobrança voluntária de taxas dos navios, disse à Reuters uma alta autoridade iraniana nesta quarta-feira, frustrando as esperanças de uma solução para o impasse que há meses compromete o comércio no Golfo por meio desse ponto estratégico. O fechamento do estreito de Bab el-Mandeb privaria a Arábia Saudita de uma alternativa crucial ao Estreito de Ormuz e aumentaria os temores de escassez no fornecimento de petróleo. O tráfego no Mar Vermelho ainda não se recuperou totalmente desde que os ataques dos houthis na costa do Iêmen começaram, em novembro de 2023, em uma ação que o grupo afirmou ser de solidariedade aos palestinos na guerra de Gaza. Os ataques contra navios mercantes só terminaram com o cessar-fogo em Gaza, em outubro do ano passado. Pelo menos um navio-tanque saudita foi atacado na última semana nas proximidades do porto saudita de Jizan, no sul do país e próximo ao Iêmen, e os houthis assumiram a responsabilidade pelo ataque. Os houthis já haviam sido acusados de cobrar taxas de algumas empresas de navegação que transitavam pelo Mar Vermelho e pelo Golfo de Áden durante o auge de sua campanha marítima em 2024, em troca de passagem segura, segundo um relatório de um painel de especialistas da ONU divulgado naquele ano, que afirmou não ter conseguido verificar as informações de forma independente. Essas cobranças foram estimadas em até US$ 180 milhões por mês, embora esses números não tenham sido confirmados. A travessia pelo estreito de Bab el-Mandeb rumo à Ásia leva, em média, 16 dias, ante cerca de 50 dias caso as cargas sejam redirecionadas pelo norte do Mar Vermelho, pelo Canal de Suez e, depois, pelo sul da África.
Houthis estudam cobrar taxas de navios no Mar Vermelho
Objetivo da medida seria normalizar a prática de cobrar taxas em hidrovias internacionais e aumentar a pressão sobre os Estados Unidos















