Grupo rebelde anunciou bloqueio contra Riad no mês passado, colocando pressão sobre o Estreito de Bab el-Mandeb; ampliação poderia ter implicações sobre o Canal de Suéz 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Universitários participam de manifestação de apoio ao movimento Houthi, no Iêmen — Foto: Mohammed Huwais/AFP Os Houthis, grupo rebelde aliado do Irã como parte do "Eixo da Resistência" no Iêmen, anunciou nesta quarta-feira ter feito um ataque contra um navio-petroleiro da Arábia Saudita no norte do Mar Vermelho, e ameaçou ampliar bombardeios a embarcações sauditas na região, como parte de um esforço para fechar todas as rotas de escoamento da produção de petróleo de Riad. O anúncio adiciona uma nova camada de pressão sobre a navegação marítima no entorno do Golfo Pérsico, em um momento em que o Estreito de Ormuz continua fechado pela guerra entre EUA e Irã. O principal porta-voz militar houthi, Yahya Saree, afirmou que o grupo lançou mísseis balísticos contra o petroleiro saudita Wafa, nas proximidades da cidade portuária saudita de Yanbu, embora não tenha detalhado o momento exato do ataque. Os rebeldes afirmam ter atacado oito embarcações ligadas à Arábia Saudita desde o início de um bloqueio naval anunciado no mês passado, que alegou se tratar de uma resposta a ataques sauditas contra o território controlado pelo grupo no Iêmen. A área controlada pelos Houthis em terra inclui o trecho litorâneos que margeia o Estreito de Bab el-Mandeb, uma passagem estratégica, que conecta o Mar Vermelho ao Golfo de Áden. Ameaças do grupo ao longo da guerra sobre o fechamento da rota preocuparam a comunidade internacional, uma vez que se trata de uma rota incontornável para os navios que pretendem alcançar o Canal de Suéz a partir do Oceano Índico. Ao se referir à ampliação das ações contra as embarcações sauditas na parte norte do Mar Vermelho, Saree afirmou ainda que a decisão foi tomada em resposta ao desvio de embarcações promovido por Riad, que tem evitado o estreito de Bab el-Mandeb. Sabe-se que os sauditas têm utilizado o porto de Yanbu para escoar a produção desde o início da crise em Ormuz, com a produção sendo redirecionada por meio de oleodutos a cidades portuárias no oeste do país — que agora são potenciais alvos houthis. A Saudi Aramco, companhia estatal de petróleo do reino, informou na terça-feira que o bloqueio imposto pelos Houthis ainda não afetou os volumes de exportação e que o reino está elaborando planos de contingência para garantir a continuidade das exportações. Yahya Saree, porta-voz militar do grupo rebelde Houthi, anuncia bloqueio naval contra a Arábia Saudita — Foto: Reprodução/X/Yahya Saree Frente de batalha Os Houthis e a Arábia Saudita são adversários de longa data. Em 2015, Riad formou uma coalizão militar que fracassou na tentativa de retirar o grupo do poder, depois que os rebeldes tomaram a capital, Sanaa, desencadeando uma devastadora guerra civil. Desde o anúncio do bloqueio, no mês passado, a coalizão realizou bombardeios contra a cidade portuária de Hudaydah, afirmando ter atingido "alvos militares legítimos" usados para ameaçar embarcações comerciais. As ações pouco fizeram para impedir os ataques houthis. Na terça-feira, o grupo afirmou ter atingido um aeroporto em Najran, no sudoeste da Arábia Saudita, embora as autoridades sauditas não tenham comentado o caso. Também na terça-feira, um navio cargueiro indiano afundou no Mar Vermelho após ser atingido por um projétil, segundo o governo da Índia. Os 14 tripulantes foram resgatados, mas pouco se sabe sobre as circunstâncias do bombardeio. Os houthis não assumiram a autoria do ataque, embora o governo internacionalmente reconhecido do Iêmen tenha responsabilizado o grupo. (Com NYT e Bloomberg)
Houthis ameaçam ampliar ataques no Mar Vermelho e afirmam ter atingido petroleiro saudita
Grupo rebelde anunciou bloqueio contra Riad no mês passado, colocando pressão sobre o Estreito de Bab el-Mandeb; ampliação poderia ter implicações sobre o Canal de Suéz








