Segundo uma autoridade, relatórios de inteligência indicam que alvos civis e econômicos poderão ser atacados, incluindo infraestrutura de energia, portos e aeroportos 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Apoiadores dos houthis erguem armas durante uma manifestação contra a Arábia Saudita, em meio à escalada das tensões com o reino, em Sanaa, no Iêmen, em 31 de julho de 2026 — Foto: REUTERS/Khaled Abdullah A Arábia Saudita espera ataques coordenados e iminentes de milícias iraquianas ao norte do país e dos houthis do Iêmen ao sul, sob supervisão da Guarda Revolucionária do Irã (IRGC, na sigla em inglês), afirmou uma alta autoridade saudita. Falando sob condição de anonimato na noite de quinta-feira, a autoridade disse que relatórios de inteligência da Arábia Saudita, dos Estados Unidos e de outros países da região indicam que alvos civis e econômicos poderão ser atacados, incluindo infraestrutura de energia, portos e aeroportos. Segundo a autoridade, a Arábia Saudita observou movimentações de drones e mísseis que sugerem operações coordenadas a partir das duas direções e está preparada para adotar todas as medidas necessárias para responder a "qualquer agressão". O raro alerta evidencia como o reino do Golfo passou a figurar cada vez mais no centro do conflito regional nas últimas semanas. O país tem sido alvo de ataques dos houthis do Iêmen e de milícias iraquianas. No fim de julho, realizou ataques em conjunto com o Comando Central dos Estados Unidos (Centcom) contra grupos apoiados pelo Irã no Iraque, após responsabilizá-los por ataques com drones contra instalações petrolíferas sauditas. As milícias iraquianas afirmaram que responderiam aos ataques sauditas. Em meio à escalada das ameaças, Arábia Saudita, Paquistão e Turquia assinarão nesta sexta-feira, em Meca, um acordo conjunto de defesa, segundo fontes com conhecimento do assunto, consolidando uma aliança entre três importantes potências muçulmanas sunitas. A Reuters informou na semana passada que a Arábia Saudita concluiu que os houthis e as milícias iraquianas atacaram o reino de forma coordenada, sob supervisão da Guarda Revolucionária iraniana, a partir do Iraque. Alerta ocorre enquanto diplomacia avança A autoridade saudita afirmou que as ameaças são "particularmente preocupantes" num momento em que Riad continua buscando reduzir a escalada e alcançar uma solução negociada. Segundo ela, os contatos com todas as partes, incluindo o Irã, e os esforços de mediação parecem estar avançando "na direção certa". Ainda de acordo com a autoridade, os ataques planejados podem ter como objetivo interromper essas iniciativas diplomáticas. Autoridades da região indicaram que os países do Golfo e o Irã estão próximos de fechar um acordo para reabrir o Estreito de Ormuz sob um arranjo temporário destinado a permitir negociações mais amplas para encerrar a guerra com o Irã. Um ataque dos houthis contra o sul da Arábia Saudita deixou 11 civis feridos na quinta-feira, informou uma autoridade militar. Ativistas houthis permanecem sobre uma plataforma diante de um painel que retrata mísseis do grupo durante um ato contra a Arábia Saudita, em meio à escalada das tensões com o reino, em Sanaa, no Iêmen, em 31 de julho de 2026 — Foto: REUTERS/Khaled Abdullah O major-general Turki al-Maliki, porta-voz da coalizão militar liderada pela Arábia Saudita em apoio ao governo internacionalmente reconhecido do Iêmen, afirmou na madrugada desta sexta-feira que o ataque, ocorrido na província de Najran, feriu sete sauditas, um iemenita, dois egípcios e um cidadão paquistanês. Nem os houthis nem o governo iraniano comentaram imediatamente a declaração da coalizão. Na terça-feira, os houthis reivindicaram a autoria de um ataque contra o aeroporto de Najran, parte de uma escalada mais ampla em que o grupo alinhado ao Irã passou a atacar alvos militares, infraestrutura e embarcações sauditas. Na quinta-feira, o grupo também matou pelo menos 17 soldados do governo iemenita, segundo o governo do Iêmen, após atacar o que descreveu como posições militares apoiadas pela Arábia Saudita nas províncias de Marib e Hadramout. O conflito entre Riad e os houthis, alinhados a Teerã, já dura mais de dez anos, mas vem se entrelaçando cada vez mais com a guerra regional mais ampla. Ações do grupo, como o bloqueio do Mar Vermelho, que interrompeu exportações sauditas de petróleo, elevaram significativamente os riscos da confrontação no Oriente Médio.