A ofensiva coloca à prova uma trégua de vários anos entre os sauditas e o grupo alinhado ao Irã Bandeiras da Arábia Saudita e do Irã — Foto: REUTERS/Dado Ruvic/Ilustração A Arábia Saudita afirmou ter interceptado nesta segunda-feira (13) mísseis balísticos disparados pelos rebeldes houthis do Iêmen contra o sul do país, após o grupo ter acusado Riad de bombardear um aeroporto sob seu controle. As hostilidades colocam à prova uma trégua de vários anos entre os sauditas e o grupo alinhado ao Irã. O porta-voz da coalizão militar da Arábia Saudita no Iêmen afirmou no X que as defesas áreas do país "neutralizaram uma ameaça representada por mísseis balísticos lançados pela milícia terrorista houthi em direção à região sul". Mais cedo, os houthis, que controlam o norte do Iêmen, acusaram a Arábia Saudita de lançar ataques aéreos contra o aeroporto internacional de Sanaa, capital do país, e prometeram retaliar. Os bombardeios foram reivindicados pelo governo internacionalmente reconhecido do Iêmen, apoiado por Riad, onde muitos de seus integrantes vivem atualmente. O porta-voz militar dos houthis, Yahya Saree, classificou os ataques como uma "agressão flagrante" e disse que eles encerraram um período de desescalada do conflito. Segundo ele, a Arábia Saudita arcará com as consequências e o ataque não ficará sem resposta. O Ministério da Defesa do Iêmen afirmou que a pista do Aeroporto Internacional de Sanaa foi alvo dos ataques para impedir o pouso de um avião iraniano. Mais tarde, um porta-voz das Forças Armadas disse que a aeronave havia pousado no aeroporto de Hodeidah, controlado pelos houthis. Não estava claro se houve alguma tentativa de impedir o pouso em Hodeidah, cerca de 150 km a sudoeste de Sanaa, na costa iemenita do Mar Vermelho. Outro ministro afirmou que os houthis estão retendo outra aeronave, pertencente ao Comitê Internacional da Cruz Vermelha, no aeroporto de Sanaa. A autoridade de aviação civil do governo iemenita determinou brevemente o fechamento de todos os aeroportos do país, antes de anunciar, horas depois, que eles haviam sido reabertos. Guerra civil O Iêmen enfrenta, há mais de uma década, uma guerra civil e um conflito por procuração entre potências externas, depois que os houthis tomaram a capital e obrigaram o governo internacionalmente reconhecido a se transferir para o sul do país. A coalizão liderada pela Arábia Saudita interveio em 2015 contra os houthis, desencadeando uma das piores crises humanitárias do mundo. A violência voltou a aumentar no fim do ano passado, quando um movimento separatista apoiado pelos Emirados Árabes Unidos avançou sobre áreas do sul, fragmentando a coalizão liderada pelos sauditas criada para combater os houthis. Ainda assim, a trégua firmada em 2022 entre a Arábia Saudita e os houthis foi amplamente mantida, apesar da escalada regional relacionada à guerra entre Israel e a Faixa de Gaza — durante a qual os houthis atacaram diversos navios no Mar Vermelho — e também do conflito envolvendo o Irã. A violência desta segunda-feira pode comprometer esforços mais amplos para reduzir as tensões na região, uma vez que os houthis são alinhados a Teerã. A Arábia Saudita permaneceu relativamente à margem do conflito com o Irã, por ser menos afetada militar e economicamente por ataques iranianos do que a maioria dos demais países do Golfo Pérsico e por buscar uma solução diplomática. Um importante fator de proteção para a Arábia Saudita tem sido sua capacidade de continuar exportando petróleo a partir da costa oeste, no Mar Vermelho, diante do fechamento efetivo do Estreito de Ormuz. Um conflito mais amplo entre os houthis e a Arábia Saudita poderá colocar essa vantagem em risco.
Arábia Saudita diz ter interceptado mísseis lançados pelos houthis do Iêmen
A ofensiva coloca à prova uma trégua de vários anos entre os sauditas e o grupo alinhado ao Irã














