Ação reflete a crescente coordenação entre milícias apoiadas por Teerã, disseram duas autoridades da região. Um seguidor dos Houthis observa durante uma manifestação pró-Irã, em meio ao conflito entre EUA e Israel com o Irã, em Sanaa, Iêmen, em 6 de abril de 2026. — Foto: REUTERS/Khaled Abdullah/Foto de Arquivo Os houthis do Iêmen, grupo alinhado ao Irã, atacaram a Arábia Saudita nesta semana a partir do território iraquiano, em coordenação com grupos armados do Iraque, segundo avaliações da Arábia Saudita e de parceiros regionais. A ação reflete a crescente coordenação entre milícias apoiadas por Teerã, disseram duas autoridades da região. As avaliações, que diferem das versões oficiais, indicam que integrantes do chamado Eixo da Resistência, apoiado pelo Irã, aprofundaram seus laços e ampliaram sua capacidade de causar danos a aliados dos Estados Unidos na região, apesar de anos de ataques americanos e israelenses contra esses grupos, do Líbano ao Irã, desde o ataque do Hamas contra Israel em 2023. Os ataques incluíram bombardeios contra instalações petrolíferas na província Oriental da Arábia Saudita, principal polo de produção de petróleo bruto do reino. A Arábia Saudita realizou na quarta-feira ataques aéreos conjuntos com os Estados Unidos contra alvos no Iraque que, segundo Riad, estavam ligados aos ataques. Oficialmente, o reino atribuiu a responsabilidade a grupos armados iraquianos alinhados ao Irã. Os houthis, por sua vez, afirmaram ter realizado os ataques. O Iraque disse que está investigando o caso. As autoridades da região que afirmaram que parte dos ataques foi lançada a partir do território iraquiano por grupos iraquianos em conjunto com os houthis ainda acrescentaram que a operação ocorreu sob supervisão da Guarda Revolucionária Islâmica do Irã (IRGC, na silga em inglês). Após os ataques sauditas e americanos de quarta-feira, veículos de comunicação alinhados ao Irã divulgaram mensagens de pesar pela morte de integrantes da Guarda Revolucionária Islâmica, de combatentes iraquianos e de pelo menos um houthi. "Agora existe treinamento e coordenação diretos entre os próprios integrantes do Eixo da Resistência, e não apenas entre eles e o Irã", disse Farea al-Muslimi, pesquisador do programa para Oriente Médio e Norte da África do centro de estudos Chatham House. Os ataques também mostram o papel cada vez mais importante do Iraque como um polo desse eixo após a queda de Bashar al-Assad na Síria e o enfraquecimento acentuado do Hezbollah no Líbano, disseram analistas. Os governos da Arábia Saudita, do Irã e do Iraque não responderam aos pedidos de comentário. Os houthis também não responderam. O grupo afirma que seus ataques contra a Arábia Saudita são uma resposta aos ataques sauditas no Iêmen e têm como objetivo romper o "cerco" imposto pelo reino. A Arábia Saudita nega impor um cerco e ressalta que dezenas de navios chegaram neste ano a portos controlados pelos houthis. Apoiadores do movimento houthi durante manifestação em Sanaa, capital do Iêmen — Foto: Khaled Abdullah/Reuters Houthis e grupos iraquianos têm histórico de cooperação A cooperação entre os houthis e grupos armados iraquianos leais ao Irã é antiga, especialmente com a Kataib Hezbollah, considerada a facção iraquiana mais bem armada e organizada. Em 2024, o líder houthi Abdul Malik al-Houthi anunciou a criação de uma sala conjunta de operações entre os houthis e facções iraquianas. Mais tarde naquele ano, os dois grupos anunciaram sua primeira operação conjunta contra Israel. Os houthis também mantêm presença permanente no Iraque, incluindo escritórios e um representante oficial, Ahmed al-Sharafi, que participou de encontros públicos com partidos xiitas iraquianos e facções armadas alinhadas ao Irã. Cartazes vermelhos e verdes com a "Sarkha", o slogan houthi — "Deus é o maior, morte à América, morte a Israel, maldição aos judeus, vitória ao Islã" — estão expostos há anos em partes de Bagdá. Segundo analistas, o Iraque é útil para os houthis e outros grupos alinhados ao Irã por causa de seu vasto território e de grandes áreas abertas, que facilitam ocultar forças e lançar ataques de forma discreta. A fronteira de mais de 800 quilômetros entre Iraque e Arábia Saudita é de difícil fiscalização, tornando-se uma plataforma ideal para ataques contra o território saudita e outros países do Golfo. Centenas de ataques contra Kuwait, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos foram atribuídos por autoridades desses países a grupos que atuam no Iraque. Entre eles estão um ataque com dois drones contra a embaixada americana em Riad, em março, e um ataque, em maio, à usina nuclear de Barakah, nos Emirados Árabes Unidos. O Iraque tem afirmado repetidamente que investigará denúncias de ataques lançados de seu território contra países árabes vizinhos, mas críticos dizem que Bagdá demonstrou pouca capacidade de lidar com o problema, prejudicando suas relações e sua credibilidade junto aos vizinhos do Golfo. O primeiro-ministro iraquiano, Ali al-Zaidi, cancelou uma visita prevista para esta quinta-feira à Arábia Saudita, onde se encontraria com o príncipe herdeiro Mohammed bin Salman, após os ataques sauditas ao Iraque em resposta às ações contra o reino. Zaidi apresentou um plano ambicioso para colocar todas as armas sob controle do Estado até o fim de setembro, apesar da oposição de algumas facções armadas.
Houthis do Iêmen têm atacado a Arábia Saudita a partir do Iraque, dizem fontes
Ação reflete a crescente coordenação entre milícias apoiadas por Teerã, disseram duas autoridades da região.










