Movimento abre uma nova frente contra os EUA na guerra envolvendo o Irã e amplia a ameaça ao fornecimento global de energia e ao comércio para além do Golfo Uma imagem de satélite mostra o Estreito de Bab el-Mandeb, uma importante via navegável e porta de entrada para o Mar Vermelho, enquanto o Irã ameaça usar seus aliados houthis no Iêmen para fechar o estreito — Foto: NASA Worldview/Divulgação via REUTERS. Os houthis do Iêmen, alinhados ao Irã, anunciaram nesta segunda-feira a imposição de um bloqueio naval contra a Arábia Saudita, abrindo uma nova frente contra os Estados Unidos na guerra envolvendo o Irã e ampliando a ameaça ao fornecimento global de energia e ao comércio para além do Golfo. O Irã havia pressionado os houthis a fechar o estreito de Bab el-Mandeb, porta de entrada para o Mar Vermelho, caso os EUA continuassem atacando a infraestrutura energética iraniana. Em comunicado, as forças armadas houthis disseram que estavam declarando "um embargo marítimo contra o inimigo criminoso saudita, com base na lógica do 'olho por olho', com efeito imediato...". Segundo o grupo, a decisão foi tomada em resposta ao que classificou como um "cerco injusto e opressor" imposto ao Iêmen pela Arábia Saudita. Não houve resposta imediata do governo saudita. Na semana passada, o grupo disparou mísseis contra a Arábia Saudita após acusar o reino de bombardear um aeroporto sob seu controle, rompendo uma trégua de quatro anos no conflito entre os sauditas e o grupo alinhado ao Irã. Os ataques foram os primeiros reivindicados pelos houthis contra a Arábia Saudita desde que uma trégua informal entrou em vigor, em março de 2022, após ofensivas do grupo contra a infraestrutura energética saudita. O fechamento total do estreito de Bab el-Mandeb reduziria a oferta global de petróleo em 7%, já que impediria que a maior parte das exportações sauditas deixasse a região. A interrupção se somaria à expressiva redução dos fluxos globais de petróleo provocada pela guerra no Golfo, que já diminuiu os embarques em cerca de 10% da oferta mundial. O anúncio dos houthis ocorreu após sinais tanto do Irã quanto dos Estados Unidos de que os dois países pretendem retomar os esforços diplomáticos para encerrar a escalada de ataques que praticamente destruiu um frágil acordo provisório firmado no mês passado. Uma autoridade iraniana de alto escalão disse à Reuters nesta segunda-feira que Teerã recebeu de mediadores uma proposta de cessar-fogo de dez dias, em uma tentativa de preservar o acordo provisório, concebido como um passo rumo a um entendimento duradouro para encerrar a guerra iniciada em 28 de fevereiro com os ataques americano-israelenses ao Irã. Os preços do petróleo chegaram a superar brevemente US$ 90 por barril nesta segunda-feira após uma nova interrupção do transporte marítimo pelo Estreito de Ormuz. Posteriormente, reduziram os ganhos depois que o Ministério das Relações Exteriores do Irã informou que mediadores apresentaram recentemente propostas a Teerã, sinalizando que os contatos diplomáticos continuam ativos. Nem o ministério nem a autoridade que falou à Reuters deram mais detalhes sobre as discussões envolvendo o possível cessar-fogo. Separadamente, duas fontes do governo do Paquistão disseram que o ministro do Interior do Irã, Eskandar Momeni, em sua segunda visita a Islamabad em menos de uma semana, pediu ao Paquistão que retomasse seu papel de mediador no conflito entre Irã e Estados Unidos. A intensa movimentação diplomática ocorreu depois que a Guarda Revolucionária do Irã afirmou ter atacado ativos militares americanos em toda a região, após mais uma noite de bombardeios americanos contra cidades iranianas.