Antes do genocídio em Gaza, pouco se falava sobre os ­houthis na imprensa ocidental, de modo geral, e na brasileira, em particular. À época, eles dispararam mísseis e drones contra Israel e realizaram bloqueios no Mar Vermelho. Com a guerra no Irã, a mídia voltou a lembrar dos ­houthis, pois o grupo é aliado estratégico do país atacado por Washington e Tel Aviv.

Nos últimos dias, sua importância aumentou ainda mais, já que os houthis anunciaram o bloqueio do Estreito de Bab al-Mandab, que liga o Mar Vermelho ao Golfo de Áden. Trata-se de uma importante rota de escoamento de petróleo, principalmente para a Arábia Saudita. Com a guerra instaurada no Estreito de Ormuz, Bab al-Mandab assumiu uma relevância ainda maior.

Mas quem são os houthis? Conhecidos como Ansar Allah (“Apoiadores de Deus”), eles são rebeldes xiitas do movimento zaidita do Iêmen, que dominam a capital, Sana, e as províncias do norte do país. O nome do grupo é uma referência ao seu líder fundador e à sua família. Hussein Badreddin al-Houthi ­(1956­­­–2004) foi um líder religioso, político e militar. Ele influenciou a insurgência contra o governo iemenita, aliado à Arábia Saudita, e contra os muçulmanos sunitas. Hussein integrava o partido ­Al-Haqq (“A Verdade”), atuou como parlamentar e exerceu grande influência sobre as tribos montanhosas do norte.