Preocupações de que Teerã possa usar grupo para fechar o estreito de Bab el-Mandeb, criando um segundo gargalo estratégico para o transporte marítimo global, aumentaram Apoiadores dos Houthis gritam slogans durante uma manifestação para comemorar o dia de Ashura, que marca o martírio do Imam Hussein, neto do Profeta Maomé, em Sanaa, Iêmen, em 25 de junho de 2026 — Foto: REUTERS/Khaled Abdullah O movimento houthi do Iêmen lançou mísseis contra a Arábia Saudita após acusar o reino de bombardear um aeroporto sob seu controle na segunda-feira, rompendo uma trégua de quatro anos no conflito entre Riad e o grupo alinhado ao Irã. A ofensiva sinaliza o fim de um período de desescalada e aumenta as preocupações de que o Irã possa passar a usar seus aliados houthis para fechar o estreito de Bab el-Mandeb, que dispõe de acesso ao Mar Vermelho, criando um segundo gargalo estratégico para o transporte marítimo global, depois do Estreito de Ormuz. Quem são os houthis? Abdul Malik al-Houthi, o reservado líder dos houthis do Iêmen, transformou um grupo de combatentes das montanhas, conhecidos por lutar de sandálias, em uma força de dezenas de milhares de integrantes capaz de interromper o comércio global e desafiar Israel e seus aliados ocidentais após o início da guerra em Gaza. Os houthis são um movimento militar, político e religioso liderado pela família Houthi e baseado no norte do Iêmen. Eles seguem o ramo zaidita do islamismo xiita. O grupo tem um histórico de guerras de guerrilha contra o Exército iemenita, mas ampliou seu poder e estreitou os laços com o Irã após os protestos da Primavera Árabe, em 2011. Aproveitando a instabilidade no país, os houthis tomaram a capital iemenita, Sanaa, em 2014. No ano seguinte, a Arábia Saudita liderou uma coalizão de países árabes em uma intervenção militar para tentar expulsar o grupo do poder. Os houthis demonstraram capacidade significativa no uso de mísseis e drones, atacando instalações petrolíferas e infraestrutura crítica na Arábia Saudita e nos Emirados Árabes Unidos. Após anos de combates que provocaram uma das piores crises humanitárias do mundo, a Organização das Nações Unidas (ONU) intermediou uma trégua entre as partes em conflito no Iêmen em 2022. O porta-voz militar Houthi, Yahya Saree, discursa em um comício contra os EUA e Israel em Sanaa, Iêmen, em 18 de abril de 2025 — Foto: AP/Osamah Abdulrahman, Arquivo Ataques dos houthis Após o ataque de 7 de outubro de 2023 contra Israel, liderado pelo grupo militante palestino Hamas e que desencadeou uma devastadora campanha militar israelense em Gaza, os houthis passaram a atacar embarcações no Mar Vermelho, afirmando agir em apoio aos palestinos. O grupo também lançou drones e mísseis contra Israel, que respondeu com ataques aéreos contra alvos houthis. Os Estados Unidos também realizaram bombardeios contra o movimento. Os ataques dos houthis interromperam parte do comércio internacional, obrigando companhias marítimas a desviar suas embarcações pela rota mais longa ao redor da África do Sul para evitar ataques. Ligações com o Irã Os houthis desenvolveram relações com o Irã, embora não esteja claro o grau dessa parceria. A coalizão liderada pela Arábia Saudita acusa Teerã de fornecer armas e treinamento ao grupo, acusação negada por ambos. A coalizão também afirma que o Hezbollah, grupo libanês apoiado pelo Irã, auxilia os houthis, o que também é negado pelo movimento. Embora o Irã apresente os houthis como parte de seu "Eixo da Resistência" regional, especialistas em Iêmen afirmam que o grupo é motivado principalmente por objetivos domésticos, apesar da afinidade política com Teerã e o Hezbollah. Os Estados Unidos afirmam que o Irã arma, financia e treina os houthis com apoio do Hezbollah. Os houthis negam atuar como representantes do Irã e dizem desenvolver seu próprio armamento. Um menino acena com uma bandeira iraniana enquanto se junta a apoiadores dos houthis em um protesto contra os ataques aéreos ao Aeroporto Internacional de Sanaa, em Sanaa, Iêmen, em 13 de julho de 2026 — Foto: REUTERS/Khaled Abdullah Guerra no Iêmen A guerra, que desencadeou uma das maiores crises humanitárias do mundo, começou no fim de 2014, quando os houthis tomaram Sanaa. Preocupada com a crescente influência do Irã, de maioria xiita, em sua fronteira, a Arábia Saudita liderou, em março de 2015, uma coalizão apoiada pelo Ocidente para apoiar o governo iemenita respaldado por Riad. Os houthis consolidaram o controle sobre grande parte do norte do país e outros importantes centros populacionais, enquanto o governo reconhecido internacionalmente passou a operar a partir de Áden.
Quem são os houthis, aliados do Irã no Iêmen?
Preocupações de que Teerã possa usar grupo para fechar o estreito de Bab el-Mandeb, criando um segundo gargalo estratégico para o transporte marítimo global, aumentaram











