Os houthis do Iêmen, apoiados pelo Irã, afirmaram nesta segunda-feira que irão proibir a navegação marítima israelense no Mar Vermelho, ampliando os desafios para o transporte global pelo Oriente Médio durante a guerra envolvendo o Irã. Em comunicado, o grupo informou que lançou um ataque contra Israel e impôs uma proibição total a navegação de navios com a bandeira israelense pelo Mar Vermelho, alertando para uma possível escalada adicional no conflito. Os ataques houthis contra navios no Mar Vermelho podem gerar ainda mais preocupação nos mercados de energia, mais de três meses após o fechamento do Estreito de Ormuz pelo Irã e com a retomada dos confrontos. Uma fonte houthi disse à Reuters que impedir a passagem de navios israelenses pelo Mar Vermelho é apenas um primeiro passo. Segundo a fonte, uma nova escalada poderia levar o grupo a bloquear também embarcações com destino a Israel, além de adotar outras medidas. Os ataques houthis à navegação no Mar Vermelho durante a guerra de Gaza, que começou em outubro de 2023 e durou dois anos, levaram grandes empresas, incluindo Maersk e Hapag-Lloyd, a desviar suas rotas ao redor da África — um trajeto muito mais longo e caro. Naquele período, os ataques contra embarcações que o grupo classificava como ligadas a Israel foram ampliados para atingir também qualquer empresa de transporte marítimo que utilizasse portos israelenses. O impacto de uma ameaça prolongada à navegação no Mar Vermelho pode ser ainda maior agora, porém, devido ao fechamento do Estreito de Ormuz. A maior parte da produção de energia dos países do Golfo não consegue deixar a região desde o início da guerra, em 28 de fevereiro. Ainda assim, volumes significativos de petróleo saudita têm sido transportados por oleodutos até o terminal de exportação de Yanbu, no Mar Vermelho. Os Emirados Árabes Unidos também conseguiram exportar parte de seu petróleo a partir de Fujairah, localizado fora do Estreito de Ormuz, embora esse terminal também tenha sido alvo de ataques iranianos. — Foto: Tecnologias Maxar via AP (foto de arquivo)