Aliados do Irã, Houthis atacaram o território israelense e fizeram ameaças que podem perturbar o Estreito de Bab al-Mandab, importante via naval para o comércio global Apoiadores dos grupo rebelde Houthis comemoram o Eid al-Ghadir em Sanaa, em 4 de junho de 2026 — Foto: Mohammed Huwais/AFP RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 08/06/2026 - 11:47 Rebeldes Houthis ameaçam bloquear navegação israelense no Mar Vermelho Os rebeldes Houthis do Iêmen, aliados do Irã, ameaçaram bloquear a navegação israelense no Mar Vermelho, após lançarem mísseis contra Israel. O grupo destacou que o bloqueio no Estreito de Bab al-Mandab, uma via crucial para o comércio global, pode ser imediato. Essa ação pode aumentar as tensões regionais e afetar significativamente o transporte marítimo e os mercados de energia. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO O grupo rebelde Houthi, aliado do Irã no Iêmen como parte do "Eixo da Resistência", anunciou nesta segunda-feira ter disparado mísseis contra Israel e que passaria a impedir a circulação de navios do Estado judeu no Mar Vermelho — ameaçando aprofundar o conflito regional e dificultar a navegação em uma rota comercial global crucial. O anúncio acende um alerta sobre um possível bloqueio no Estreito de Bab al-Mandab, que fica na extremidade da Península Arábica oposta a Ormuz — via marítima já afetada pela guerra. Os Houthis estiveram ausentes de grande parte da guerra entre a aliança EUA-Israel contra o Irã, porém a ameaça feita nesta segunda-feira parece indicar uma mudança de postura que pode causar ainda mais perturbações aos mercados de energia e transportes marítimos. O porta-voz militar houthi Yahya Saree declarou em uma publicação nas redes sociais que um bloqueio naval parcial entraria em vigor imediatamente, e afirmou que o grupo havia lançado uma "salva de mísseis" contra Israel em resposta à agressão contra Irã, Líbano, os palestinos e outros alvos. Houthis controlam rota alternativa do petróleo no Mar Vermelho — Foto: Editoria de Arte / O Globo Não ficou claro o que a ameaça contra navios israelenses significaria na prática. O território controlado pelos rebeldes no Iêmen está localizado ao lado de Bab al-Mandab, uma estreita passagem marítima que conecta a extremidade sul do Mar Vermelho. Navios de carga que não conseguem atravessar essa área precisam contornar o extremo sul da África para viajar entre a Ásia e os mercados da Europa e das Américas, aumentando significativamente o tempo de viagem. Muitas empresas de navegação já vinham evitando a região. Durante a guerra de Israel em Gaza, os Houthis atacaram regularmente embarcações no Mar Vermelho, alegando que buscavam pressionar Israel a encerrar seus bombardeios contra o enclave palestino. Desde que EUA e Israel atacaram o Irã no final de fevereiro, o Mar Vermelho tornou-se uma importante rota alternativa para a Arábia Saudita, maior exportadora de petróleo do mundo, alcançar os mercados internacionais evitando Ormuz. Mohammed al-Bukhaiti, alto dirigente político houthi, afirmou que o grupo atacaria apenas navios ligados a Israel, mas advertiu outros países, como a Arábia Saudita, a não intervirem, afirmando em uma entrevista por telefone que "qualquer país que se envolver será alvo". Segundo Farea al-Muslimi, pesquisador especializado no Iêmen da organização britânica Chatham House, não seria necessário muito esforço para que os Houthis prejudicassem o transporte marítimo ao aumentar os riscos para navios que transitam pelo Mar Vermelho, o que também elevaria os custos dos seguros para as empresas de navegação. Principais rotas de abastecimento global de petróleo — Foto: Editoria de Arte / O Globo — Eles podem simplesmente enviar um sinal, e basta que ocorra um único ataque para provocar um choque em todo o setor de seguros — afirmou al-Muslimi. — Não ficarei surpreso se houver um bloqueio conjunto de Ormuz e Bab al-Mandab. Rashid al-Haddad, analista econômico baseado no Iêmen, afirmou que, caso as Forças Armadas dos EUA ou de outros países fossem mobilizadas para o Mar Vermelho para enfrentar os Houthis, toda a via marítima poderia se transformar em um "teatro de confronto militar". — Isso também elevaria os custos dos seguros marítimos e desviaria uma parcela significativa do comércio global — disse o analista. — Se as hostilidades se intensificarem, os Houthis recorrerão ao fechamento total do estreito.