Você tem bom gosto? Na era da IA, é isso que vai te diferenciarO bom gosto deixou de ser luxo e virou questão de sobrevivência no mercado de trabalho. Crédito: Edição: Júlia PereiraNunca foi tão fácil produzir algo que agrade à maioria das pessoas. Em poucos anos, a inteligência artificial tornou trivial aquilo que antes exigia anos de ofício, como escrever um texto esteticamente razoável, montar um site funcional, gerar uma imagem bonitinha, editar um vídeo coerente ou rodar uma análise tecnicamente correta. PUBLICIDADEUm grande modelo de linguagem (LLM) aprende a partir de uma quantidade gigantesca de tudo o que a humanidade já escreveu, do brilhante ao terrível, mas que, na imensa maioria dos casos, é só o comum. Depois disso, o algoritmo passa por um ajuste fino baseado em feedback humano, no qual o modelo aprende a preferir as respostas que agradam ao maior número de pessoas. Ou seja, as LLMs são otimizadas para agradar, e é exatamente por isso que acabam convergindo para o mediano. Elas evitam o arriscado e o inovador, justamente os ingredientes por trás de quase tudo aquilo que é memorável. Leia tambémComo o Brasil pode usar a inteligência artificial para ganhar a Copa de 2030Quanto mais a IA automatiza o repetitivo, mais valioso fica o trabalho intelectualPeça um texto e você receberá algo correto, fluido e indistinguível de outros dez mil textos corretos e fluidos. Não se trata de uma falha, mas do próprio desenho do sistema. As LLMs são máquinas geradoras de consensos, só que nenhuma obra memorável nasceu do consenso. PublicidadeÉ por isso que a primeira resposta de uma LLM quase nunca é a melhor, apenas a sua versão mais segura. Os algoritmos só começam a produzir algo realmente original sob forte supervisão e direcionamento humano. É necessário que alguém se disponha a provocá-los, contradizê-los, rejeitar dez soluções razoáveis, impor restrições inesperadas, trazer referências que eles não pensaram e empurrá-los para longe do senso comum. Ter bom gosto, aqui, não é apenas uma questão de preferência estética pessoal, mas um discernimento treinado ao longo de muito tempo, isto é, a capacidade de reconhecer o excepcional no meio de muitas opções plausíveis e de sentir, antes mesmo de conseguir explicar, que algo ainda está sem graça demais.Os algoritmos só começam a produzir algo realmente original sob forte supervisão e direcionamento humano Foto: hqrloveq - stock.adobe.comA IA pode te listar 20 opções possíveis para um parágrafo, e é o seu bom gosto que vai identificar qual delas é de fato interessante e quais as outras 19 que devem ser cortadas. Em slides, a maioria do que é gerado pelas LLMs nasce com a mesma cara, e um olhar treinado é o que consegue reconhecer o comum e exigir o notável. Em imagens e vídeos, gerar é fácil, mas direcionar é difícil, já que o enquadramento, a luz e o ritmo únicos são decisões que nenhum prompt básico consegue tomar por você. Se o bom gosto fosse apenas um dom, o problema morreria aqui. A boa notícia é que gosto não nasce pronto, e sim se acumula. Ele vem da exposição deliberada ao melhor, de ler os grandes clássicos da humanidade, de estudar os produtos que definiram época e de assistir a fundo os filmes que todo mundo tenta copiar, mas que quase ninguém estudou de verdade. Quando todo mundo tem acesso à mesma tecnologia, a diferença está em quem a dirige e quem é capaz de fazer com ela algo que mais ninguém faria. Para superar esse desafio, você não precisa de mais prompts. Você precisa de bom gosto.Publicidade