Será que suas aspirações atuais são mesmo genuínas, ou apenas fabricadas pelo excesso de uso das redes sociais? 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Livro de Patti Smith, look da The Row e vela da Diptyque: os itens mais desejáveis do momento — Foto: Divulgação RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 19/06/2026 - 16:22 "Tasteslop: O Impacto dos Algoritmos na Autenticidade Cultural" O artigo explora o conceito de "tasteslop", criado por Emily Segal, que descreve a padronização do gosto influenciada por algoritmos de redes sociais. A autenticidade cultural é questionada, pois o que antes era único agora se torna tendência efêmera. Especialistas alertam sobre a crise de identidade e a falsa sensação de pertencimento gerada pelas redes, destacando a importância de preservar a singularidade em meio à massificação. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Malas da alemã Rimowa, velinhas cheirosas da parisiense Diptyque e a bolsa maxiflap da Chanel que conquistou as celebridades. De repente, você tem a sensação de que todos os seus amigos estão cruzando aeroportos, decorando a casa e atualizando o guarda roupa com esses itens, menos você. E o que eles têm em comum? Além de acenderem o nosso desejo, tornaram-se parte do que chamamos de tasteslop, termo em inglês criado pela consultora de tendências americana Emily Segal, que define a padronização da estética e do bom gosto massificado e embalado pelos algoritmos. Será que suas aspirações atuais são mesmo genuínas, ou apenas fabricadas pelo excesso de uso das redes sociais? “O zeitgeist, ou espírito do tempo, nos mostra a morte da autenticidade. A cultura deixa de ser produzida por vivências reais e passa a ser curada digitalmente”, afirma Valeska Nakad, coordenadora do curso de Design de Moda do Centro Universitário Belas Artes, em São Paulo. “Se o Instagram democratizou o acesso aos signos de bom gosto, criou também uma nova distinção: a de quem compreende a origem desses signos e tem grana para consumi-los, versus os que se frustram, por não alcançá-los.” Para a pesquisadora Marina Roale, sócia do Grupo Consumoteca, consultoria especializada em negócios, a última década da internet foi marcada pela promessa de que a web seria um espaço de autenticidade. Mas, à medida que a velocidade da informação acelerou, os códigos se multiplicaram e as tendências que antes duravam anos, hoje duram semanas. E o que era único, exclusivo, vira uma febre coletiva. O bom gosto representa agora o desejo de ter o que o outro ostenta. “O mais interessante, na verdade, deveria ser buscar uma relação com a cultura, acumular referências, em contraponto às tendências efêmeras”, diz Marina. O problema, continua, é que conforme esse repertório precisa ser exibido para nos validar, funciona como qualquer outro código de pertencimento. “A busca por um gosto singular produz uniformidade e mata o sujeito.” A psicóloga Daniela Faertes afirma que esses elementos tão desejáveis nos trazem o sentimento de incapacidade e frustração. “Porque produzem uma falsa sensação de pertencimento. Quem é afetado entra em uma crise de identidade, porque as redes transformam o que seria para poucos, em algo banal. Como se fosse comum todo mundo esquiar no inverno europeu”, exemplifica. E, para não ser mais uma vítima do tasteslop, é necessária uma reflexão profunda do que realmente queremos. E de quem realmente somos. “A verdadeira riqueza humana sempre esteve naquilo que escapa aos modelos, nas diferenças que não podem ser reduzidas a tendências. Preservar essa singularidade talvez seja um dos grandes desafios do nosso tempo”, finaliza a psicanalista Michèle Mayer.