A inteligência artificial vai ajudar a criar os seus filhos; veja desafios e oportunidadesIA pode revolucionar a educação infantil, mas exige cautela para não aprofundar desigualdades. Crédito: EstadãoDurante muito tempo, até os profissionais mais competentes passavam boa parte do seu tempo fazendo tarefas abaixo da sua capacidade intelectual. PUBLICIDADEUm diretor de empresa gastava horas ajustando apresentações, resumindo relatórios, revisando e-mails e consolidando números em planilhas. Um cientista experiente precisava formatar referências, preparar versões preliminares de textos e transformar ideias em documentos burocráticos. Nada disso era completamente inútil, mas o problema é que essas tarefas consumiam muito tempo e energia de pessoas cujo maior valor estava em outro lugar. O mercado de trabalho historicamente sempre desperdiçou inteligência com excesso de repetição.A inteligência artificial está começando a mudar essa situação. Ao automatizar parte do trabalho repetitivo, ela libera os melhores profissionais para fazerem aquilo que realmente os diferencia, como pensar e decidir melhor, enxergar detalhes que escapam aos outros e produzir julgamentos de maior qualidade.Chiavegatto: 'Ideia de que a IA vai substituir trabalhadores intelectuais é uma simplificação muito ruim' Foto: hqrloveq/Adobe StockIsso não significa que todo mundo ficará igualmente bom. O profissional mediano vai utilizar a IA para entregar algo aceitável, mas o profissional excelente vai usar a IA para chegar mais rápido ao ponto de partida e, a partir dali, acrescentar seu conhecimento aprofundado sobre o assunto.PublicidadeLeia tambémEUA trancaram o novo ChatGPT: a fronteira da inteligência artificial agora tem porteiroA palavra que melhor explica o futuro da inteligência artificial é ‘ainda’IA mostra que Magnus Carlsen não é bom enxadrista e não somos tão inteligentesA IA é muito boa em produzir uma resposta inicial que seja plausível e aceitável. O grande profissional será cada vez mais necessário para saber no detalhe quando essa resposta é insuficiente, para notar que um argumento convincente não se aplica àquele setor, àquele hospital, àquela empresa ou àquela situação concreta, e para distinguir uma resposta bem escrita de uma resposta fundamentada.Quando a parte mecânica do trabalho diminui, sobram menos lugares por onde se esconder. Fica mais fácil distinguir quem apenas organiza boas frases de quem entende o problema, e quem reproduz o consenso de quem acrescenta algo. A competência deixa de se confundir com o esforço visível e passa a ser medida pela qualidade do que só aparece no resultado final.Por isso, a ideia de que a IA vai substituir trabalhadores intelectuais é uma simplificação muito ruim. O que ela vai fazer é tornar o trabalho intelectual mais difícil de simular e mais fácil de comparar. O básico estará disponível para todos, mas o valor estará no que vem depois.No fim, o resultado dessa mudança será uma valorização inédita do trabalho intelectual. Quanto mais a inteligência artificial for automatizando o repetitivo, mais nítido vai ficar o que sempre teve valor de verdade.O diferencial vai passar a ser tudo aquilo que vem depois do básico, e esse diferencial nunca valeu tanto. Agora sobra o mais difícil. E o mais difícil sempre foi onde os melhores se destacam dos demais.Publicidade