A IA (inteligência artificial) vai dizimar o trabalho dos artistas e acabar com a arte que se conhece hoje? Ou nunca vai ser capaz de substituir os humanos porque as nossas mentes são, supostamente, excepcionais?

Para Dora Kaufman e Giselle Beiguelman, convidadas deste episódio, discutir as relações entre arte e IA nesses termos não faz sentido.

Em "Tecnologias da Invenção" (Autêntica), as autoras se recusam a contrapor pessoas e máquinas. Em vez disso, propõem que uma análise mais sofisticada deve levar em consideração que, há décadas, é impossível separar criatividade humana e tecnologia no terreno da criação artística e que a IA, com uma lógica de funcionamento e vieses próprios, muda os termos desse entrelaçamento.

O livro traz conversas com artistas e o psicanalista Christian Dunker —os entrevistados falam sobre como usam chatbots e outras aplicações em seu processo criativo—, e as pesquisadoras defendem que a arte produzida com IA não é só uma possibilidade, mas uma realidade atual.

Kaufman e Beiguelman lembram que as bases de dados usadas para treinar IAs carregam as marcas do colonialismo e que big techs dos Estados Unidos e da China dominam o desenvolvimento da tecnologia. Ao mesmo tempo, indicam que a IA abre espaço para práticas artísticas que contestam essa ordem social e repensam o mundo de hoje.