Discutir inteligência artificial nas relações de trabalho se tornou inevitável. O tema entrou nas salas de conselho, nas áreas de RH, nos fóruns jurídicos e nas mesas de negociação. Mas, em muitos desses espaços, a conversa ainda está presa a uma moldura estreita: eficiência, automação, produtividade e redução de custos.
Essa reflexão integra a obra "Relações do Trabalho na Era da IA", coordenada por André Teixeira e Thiago Paes, consultores em RT e apresentadores do GRTB Cast, com lançamento previsto para este mês de agosto.
Ilustração de Angelo Abu - Folhapress
O verdadeiro desafio da IA no trabalho não é tecnológico. É humano, organizacional e ético. Não estamos apenas diante de novas ferramentas, mas de novas formas de decidir sobre pessoas: quem entra, quem avança, quem é monitorado, quem é desligado e sob quais critérios. É por isso que a promessa de neutralidade tecnológica é tão sedutora. E tão perigosa.
Ao revestir decisões humanas com aparência de objetividade, a IA pode transformar preconceitos antigos em sistemas sofisticados. O viés deixa de ser apenas uma falha individual e passa a ser um erro reproduzido em escala. Quando empresas automatizam recrutamento, avaliação, promoção ou monitoramento sem revisão crítica, correm o risco de transformar o passado em política futura.







