Automação, novas competências e mudanças na rotina das empresas estão redefinindo a forma como profissionais constroem suas carreiras e se relacionam com o trabalho. 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Jean Pierre Lessa e Santos Ferreira — Foto: Divulgação A influência da IA alcança as decisões, rotinas e expectativas dentro das empresas. Essa mudança não deve ser vista apenas como uma troca de ferramentas, mas como uma transformação na maneira como os profissionais compreendem valor, produtividade e aprendizado ao longo da carreira. Com isso em mente, a seguir, veremos como esse movimento pode gerar riscos para quem permanece parado e oportunidades para quem aprende a reposicionar suas competências. Como a inteligência artificial muda a rotina profissional? A inteligência artificial altera a rotina de trabalho, principalmente ao assumir tarefas repetitivas, operacionais e baseadas em padrões. Isso aparece em atividades como triagem de informações, organização de dados, atendimento inicial, geração de relatórios, revisão de documentos e apoio à tomada de decisão. Com isso, parte do tempo antes consumido por processos manuais passa a ser redirecionada para análise, estratégia e relacionamento humano. Dessa maneira, o impacto mais relevante não está apenas na velocidade de execução, mas na mudança de expectativa sobre o desempenho profissional. Em muitas áreas, já não basta executar bem uma tarefa. O profissional precisa saber interpretar dados, formular boas perguntas, revisar resultados gerados por sistemas e transformar tecnologia em decisão útil para o negócio. O medo de substituição é justificável? O medo de substituição existe porque a IA realmente automatiza atividades que antes dependiam exclusivamente de pessoas. No entanto, a questão central não é se toda profissão será eliminada, mas quais tarefas dentro de cada profissão perderão espaço. Funções muito baseadas em repetição, baixa interpretação e pouca interação contextual tendem a ser mais afetadas. O CTO Jean Pierre Lessa e Santos Ferreira frisa que o maior risco recai sobre profissionais que se limitam a executar rotinas sem compreender o processo completo em que atuam. Por outro lado, quem entende o negócio, domina critérios de qualidade e consegue combinar tecnologia com julgamento humano tende a ganhar relevância. A substituição, portanto, não ocorre apenas entre máquina e pessoa, mas entre profissionais que se adaptam e profissionais que resistem à mudança. Produtividade não significa apenas fazer mais rápido A promessa de produtividade da inteligência artificial precisa ser analisada com cuidado. Fazer mais em menos tempo pode gerar eficiência, mas também pode aumentar retrabalho quando os resultados não são revisados. Como ressalta o diretor de tecnologia, Jean Pierre Lessa e Santos Ferreira, a IA acelera processos, porém não elimina a necessidade de critério, contexto e responsabilidade profissional. Nesse sentido, empresas e profissionais precisam evitar o uso automático da tecnologia como atalho. Pois a produtividade real surge quando a ferramenta reduz desperdícios, melhora a qualidade da entrega e libera tempo para tarefas de maior valor. Para isso, é necessário definir objetivos claros antes de automatizar qualquer etapa. Tendo isso em vista, os seguintes ganhos práticos aparecem quando a IA é usada com método: Redução de tarefas repetitivas: atividades operacionais podem ser executadas com mais rapidez, liberando tempo para análise e planejamento.Apoio à tomada de decisão: sistemas inteligentes ajudam a organizar informações e identificar padrões relevantes.Melhoria na comunicação: a tecnologia pode apoiar sínteses, relatórios, atendimento e padronização de mensagens.Aprendizado contínuo: profissionais usam ferramentas digitais para pesquisar, testar hipóteses e desenvolver novas habilidades.Mais foco em estratégia: equipes podem dedicar mais energia a problemas complexos, inovação e relacionamento com clientes. Esses benefícios, porém, dependem de uso responsável. Jean Pierre Lessa e Santos Ferreira analisa que, quando a inteligência artificial é aplicada sem revisão humana, sem critérios de qualidade e sem alinhamento com objetivos reais, ela pode apenas acelerar erros antigos. Por isso, produtividade deve ser medida não só por volume, mas também por precisão, relevância e impacto. Quais funções tendem a se adaptar melhor com a IA? A adaptação das funções ocorre quando tarefas antigas são reorganizadas em torno de novas ferramentas. Um profissional de marketing, por exemplo, pode usar IA para mapear temas, analisar comportamento de público e estruturar campanhas. Um analista financeiro pode automatizar projeções iniciais e dedicar mais tempo à interpretação dos cenários. Um gestor pode usar dados para acompanhar desempenho e antecipar gargalos. Dessa maneira, a tendência é que muitas profissões se tornem mais analíticas, híbridas e orientadas por dados. Isso não significa que todos precisarão ser programadores, mas indica que a alfabetização digital se tornará uma competência básica. Logo, saber usar ferramentas, validar respostas e compreender limites tecnológicos será tão importante quanto dominar os processos tradicionais da área. A transformação do trabalho Em última análise, a inteligência artificial está mudando a relação das pessoas com o trabalho porque redefine o que é esforço, entrega e competência. O valor profissional deixa de estar concentrado apenas na execução de tarefas e passa a depender da capacidade de orientar ferramentas, interpretar informações e tomar decisões melhores. Essa mudança exige atenção, mas também abre espaço para carreiras mais estratégicas. Portanto, no fim, a IA não deve ser tratada apenas como ameaça nem como solução mágica. Ela é uma força de reorganização produtiva. Assim sendo, profissionais que desenvolvem visão crítica, qualificação contínua e domínio prático da tecnologia tendem a ocupar posições mais relevantes em um mercado que valoriza cada vez mais adaptação, inteligência aplicada e capacidade de gerar resultados com responsabilidade.