Sete em cada dez empresas já usam IA no recrutamento, mas o desafio agora é transformar eficiência operacional em decisões mais estratégicas Divulgação — Foto: Divulgação A inteligência artificial começou a transformar a rotina do RH ao assumir tarefas que, até pouco tempo, consumiam horas das equipes. Triagem de currículos, cruzamento de perfis, comunicação com candidatos, análises de dados e automação de etapas do recrutamento passaram a acontecer de forma mais rápida e escalável. O ganho de eficiência é real. A questão agora é como transformar esse tempo recuperado em impacto para o negócio. O debate começou a ganhar força a partir do momento que empresas perceberam que eficiência operacional e atuação estratégica precisam caminhar juntas. A tecnologia reduz as atividades repetitivas e libera os profissionais, mas a transformação não é automática. O grande diferencial está em como usar esse tempo ganho: ele deve ser o combustível para unir estratégia e capacidade de execução, permitindo que o time de RH se dedique à análise de dados e à revisão de processos", explica Patricia Suzuki, Diretora de RH da Redarbor Brasil, detentora do Pandapé. A velocidade dessa transformação já aparece nos números. Levantamento realizado pelo Pandapé em parceria com a Adecco, com 460 profissionais de Recursos Humanos, mostra que 70% das empresas brasileiras já utilizam inteligência artificial em alguma etapa do recrutamento. Além disso, 77% dos respondentes afirmam usar a tecnologia diariamente em sua rotina de trabalho. Os dados mostram que a discussão já não está mais na adoção da IA, mas na forma como ela é incorporada à gestão. A tecnologia deixou de ser tendência para se tornar parte da operação de RH. O próximo passo é entender como transformar os ganhos de eficiência em mais capacidade analítica, influência estratégica e geração de valor para o negócio. "O cenário mostra que a tecnologia avançou muito rápido e trouxe ganhos importantes. Agora, as empresas precisam evoluir na capacidade de transformar esses ganhos em decisões melhores, processos mais inteligentes e uma atuação mais consultiva do RH", afirma Patricia. Para a executiva, o mercado vive uma fase de amadurecimento. A discussão já não está centrada apenas na adoção da tecnologia, mas na forma como ela contribui para resolver desafios mais complexos das organizações. "Automatizar etapas é importante porque reduz esforço operacional e aumenta produtividade. Mas o verdadeiro valor aparece quando esse tempo passa a ser investido em análise, planejamento e decisões que impactam diretamente os resultados da empresa", diz. A discussão ganha relevância em um momento em que o próprio papel do RH se expandiu. Além do recrutamento, a área passou a assumir responsabilidades relacionadas à cultura organizacional, experiência do colaborador, retenção, saúde mental, diversidade, desenvolvimento de lideranças e inteligência de dados. Nesse contexto, a tecnologia deixa de ser apenas uma ferramenta de eficiência para se tornar um suporte à tomada de decisão. O desafio está em garantir que a evolução tecnológica seja acompanhada pelo desenvolvimento das competências necessárias para interpretar informações, gerar insights e influenciar o negócio. Patrícia destaca que a facilidade de obter dados deixou de ser uma grande barreira; o verdadeiro diferencial competitivo agora reside em converter essa informação em planos e executá-los. Segundo ela, as organizações que estabelecem esse vínculo conseguem obter um retorno muito superior da tecnologia, ao passo que as que limitam a IA somente para reduzir o trabalho manual não aproveitam todo o seu potencial. A adoção acelerada da inteligência artificial também tem ajudado a evidenciar diferenças de maturidade entre as organizações. Enquanto algumas utilizam a tecnologia para apoiar decisões mais consistentes, outras ainda estão concentradas apenas na automatização de tarefas. Para Patricia, isso faz parte da evolução natural do mercado. "Toda transformação tecnológica começa pela eficiência. O passo seguinte é usar essa eficiência para ampliar a capacidade de pensar, analisar e decidir. É nesse momento que a tecnologia deixa de ser apenas uma ferramenta operacional e passa a contribuir efetivamente para a estratégia." A discussão sobre inteligência artificial talvez revele uma mudança mais profunda dentro das organizações. Durante anos, o RH buscou reduzir o peso das atividades operacionais para dedicar mais energia a temas estratégicos. A IA começa a tornar isso possível. O desafio agora não é mais apenas automatizar processos, mas usar o tempo, os dados e os insights gerados pela tecnologia para tomar decisões melhores, desenvolver pessoas e gerar impacto real para o negócio.