Sete em cada dez empresas brasileiras já usam inteligência artificial em alguma etapa da contratação, segundo levantamento da Pandapé em parceria com a Adecco, feito com 460 profissionais de recursos humanos. Desse grupo, 77% recorrem à tecnologia todos os dias, principalmente para triagem, seleção de candidatos e edição de texto. O avanço da ferramenta levanta uma pergunta para o mercado: qual passa a ser o papel do headhunter quando a máquina já cuida da parte operacional do processo?

Nos Estados Unidos, o cenário segue direção parecida. O relatório 2026 do Thomson Reuters Institute mostra que a adoção de inteligência artificial generativa dentro das empresas saltou de 22% para 40% em um ano. Entre as companhias consideradas mais avançadas nesse uso, 15% já operam agentes autônomos capazes de executar tarefas inteiras sem intervenção humana.

Para Zuca Palladino, sócio e head dos Estados Unidos da WPeople North America, a lógica por trás desse movimento é simples. “Quando a tarefa fica de graça, ninguém paga mais por ela”, afirma o executivo. Segundo ele, esse processo tende a reduzir o tamanho e o valor do meio do mercado, formado por etapas padronizadas e sem camada de especialista.