Para a maior parte do mundo, a principal questão sobre inteligência artificial não é apenas se ela é segura ou perigosa. É outra: os países poderão desenvolver suas próprias soluções ou dependerão de tecnologias produzidas por poucas empresas estrangeiras?

Imagine uma desenvolvedora em São Paulo criando uma startup. Ela pode pagar pelo acesso a um modelo de IA americano, sujeita a preços e contratos que podem mudar. Ou pode baixar um modelo chinês, executá-lo em sua própria infraestrutura e adaptá-lo ao português e às leis nacionais. Não é apenas uma escolha tecnológica. É uma decisão econômica e estratégica.

A discussão ganhou força na Conferência Mundial de Inteligência Artificial, em Xangai, onde o presidente chinês, Xi Jinping, defendeu a IA aberta como forma de ampliar o acesso global à tecnologia, enquanto empresas chinesas oferecem modelos competitivos para download e Pequim amplia a cooperação com o Sul Global.

Mas é preciso entender o que significa "aberto". A maioria dos modelos abertos disponibiliza apenas seus pesos, os parâmetros necessários para executar o sistema. É como receber um bolo pronto: você pode servi-lo e modificá-lo, mas não conhece a receita. Sem acesso aos dados de treinamento, não é possível reproduzir ou auditar integralmente esses sistemas. Por isso, muitos especialistas preferem falar em "pesos abertos" e não em código aberto.