Na década de 1960, a Holanda descobriu depósitos de petróleo e gás no mar do Norte que a transformaram em grande exportadora de energia. Com atração de capital estrangeiro, sobrevalorização da moeda e perda de competitividade industrial, esse fenômeno promoveu o deslocamento do superávit comercial da indústria para produtos primários e recebeu o nome de "doença holandesa".

Também conhecida como "mal dos recursos naturais", a "doença" se manifesta numa abundância em que a economia se especializa e direciona seus recursos para a produção de commodities —a desindustrialização é quase uma consequência natural. Foi somente na década de 1990 que a Holanda conseguiu reverter esse processo, investindo em infraestrutura, pesquisa e inovação para buscar um modelo econômico altamente diversificado e voltado para a exportação de produtos com alto valor agregado.Desde o Descobrimento, a estrutura produtiva do Brasil tem sido moldada para a exportação de commodities. Pau-brasil, açúcar, ouro e diamantes, algodão, café, borracha, cacau e, mais recentemente, minério de ferro, soja e milho. Todos os ciclos com características em comum: abundância de recursos naturais, com pouca ênfase em agregação.

O Brasil tem a segunda maior reserva de terras raras do mundo, mas responde por menos de 1% da produção global. Além disso, o país conta com atrativos como conhecimento de mineração, matriz energética limpa e infraestrutura mínima de logística.