Eleições 2026
O que se escreve sobre a intervenção norte-americana na eleição brasileira não toleram mais a forma condicional. Após o novo tarifaço e as sinalizações explícitas da hostilidade de Marco Rubio a Lula, a questão não é se haverá uma ingerência explícita, mas até onde vai a operação em curso. Como é próprio do governo de Donald Trump, ela não se preocupa em revestir o arbítrio com a aparência da institucionalidade, dos bons modos ou de algum princípio universal.
Estamos distantes até mesmo da retórica da Guerra Fria ou do período posterior a 1989, quando os Estados Unidos procuravam justificar suas ações com motivações ideológicas pretensamente virtuosas: a defesa da democracia, o combate ao comunismo ou a promoção dos direitos humanos. Trump rejeita abertamente as instituições multilaterais construídas, em grande medida, sob o protagonismo norte-americano no pós-guerra e toma sua própria interpretação do interesse nacional como critério soberano da política externa.
Em relação aos países ao sul dos Estados Unidos, a moda é recuperar a agressividade da Doutrina Monroe, formulada no século XIX e radicalizada pelo Corolário Roosevelt — agora rebatizada, com a habitual falta de sutileza, de “Doutrina Donroe”. O America First e o movimento MAGA favorecem, por um lado, aliados externos identificados com a heterogênea coalizão de ultradireita liderada por Trump. Por outro, buscam sobretudo dirigentes dispostos à submissão explícita, convertendo os interesses nacionais de outros países em simples extensões dos interesses de Washington.














