As críticas do presidente Lula (PT) ao secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, na noite de segunda-feira 20, chamaram atenção. Entretanto, o embate não começou no contexto do anúncio do tarifaço de 25% sobre produtos brasileiros. Rubio já era um dos principais alvos do Palácio do Planalto por suas críticas ao governo brasileiro, ao Supremo Tribunal Federal e pela atuação em defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). O que mudou nas últimas semanas foi o papel assumido pelo chefe da diplomacia norte-americana, que passou a reunir, em uma única figura, as três principais frentes de conflito entre os governos brasileiro e norte-americano: a comercial, a institucional e a eleitoral.

No último dia 16, Rubio assumiu a linha de frente do anúncio das novas tarifas impostas pelos Estados Unidos e fez os ataques mais duros ao governo brasileiro. Em publicação nas redes sociais, afirmou que Lula colocou o “próprio ego” acima de um acordo entre os dois países, disse que o governo brasileiro não negociou “de boa-fé” com Washington e atribuiu ao presidente a responsabilidade pelo agravamento da crise comercial.

A resposta do governo brasileiro também foi direcionada ao secretário. No mesmo dia, o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, classificou as declarações como “inaceitáveis e ofensivas” e afirmou que Rubio atacou “de forma grosseira e arrogante” o chefe de Estado brasileiro. O chanceler rebateu ainda a acusação de falta de diálogo, afirmando que Brasil e Estados Unidos realizaram mais de 30 reuniões desde o início das negociações e que Brasília apenas recusou propostas consideradas incompatíveis com a soberania nacional, como às relacionadas ao Pix e ao etanol.