"As declarações do secretario de estado Marco Rubio, veiculadas na madrugada de hoje nas redes sociais a respeito das tarifas adotadas contra o brasil são inaceitáveis, ofensivas ao povo brasileiro e ao governo brasileiro", afirmou Vieira. "Rubio ataca de forma grosseira e arrogante um chefe de estado de um país amigo. Claramente o que incomoda o governo dos Estados Unidos é o fato do Brasil não ter se curvado às pretensões desmedidas e às demandas irrazoáveis apresentadas no curso das negociações", completou o chanceler. Vieira também disse que o presidente Lula "buscou o diálogo" desde o primeiro momento e se colocou à disposição para "negociar qualquer tema". Nos bastidores do Palácio do Planalto, auxiliares de Lula afirmam que o petista não deve responder às críticas feitas por Marco Rubio. O entendimento é de que não cabe a um chefe de Estado reagir a declarações de um secretário. Por essa razão, coube a Mauro Vieira, que ocupa um cargo de mesmo nível de Rubio, a resposta às falas do secretário de Donald Trump. Não há justificativas, diz ministro O chanceler Mauro Vieira respondeu às críticas de Rubio a Lula: 'Grosserias e arrogância' — Foto: Reprodução/TV Globo "Desde março de 2025, o governo brasileiro manteve mais de 30 reuniões presenciais, virtuais ou por telefone nos níveis presidencial, ministerial e técnico. Somente com [Marco] Rubio e [Jamieson] Greer foram 11 contatos. O Brasil negocia desde antes de 2025, desde o tarifaço original", acrescentou Vieira. Ele afirmou que não há justificativa e "lastro" na realidade para a imposição de novas tarifas de 25% anunciada pelo governo dos Estados Unidos. Segundo Vieira, a motivação da medida foi "política" e houve, na relação entre os países, uma "tentativa de interferência dos Estados Unidos no Judiciário brasileiro". "As investigações da Seção 301 são procedimentos unilaterais do governo dos Estados Unidos e não há justificativa para adoção de tarifas contra os produtos brasileiros", afirmou Vieira. O chancelar acrescentou que o Brasil não aceitou "demandas de abertura total, irrestrita e exclusiva aos Estados Unidos de setores inteiros da economia brasileira, sem qualquer contrapartida para os produtos brasileiros". "Não custa reiterar que os EUA acumularam US$ 424 bilhões em superávit de bens e serviços com o Brasil nos últimos 15 anos. Em 2025, 76% das importações originárias dos EUA entraram no Brasil sem pagar imposto de importação, incluindo oito dos dez principais produtos dos EUA", emendou. Entenda o caso Mauro Vieira diz que novas tarifas dos EUA não têm justificativa e lastro com realidade: 'Motivação política' O governo dos Estados Unidos confirmou a aplicação de uma nova tarifa de 25% sobre produtos brasileiros após concluir uma investigação comercial conduzida pelo Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR, sigla em inglês). A medida foi adotada com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, mecanismo usado pelo governo americano para apurar práticas consideradas prejudiciais ao comércio do país. Apesar da nova taxa, uma extensa lista de produtos foi excluída da sobretaxa. O governo brasileiro reagiu afirmando que a medida não tem justificativa econômica e foi motivada por razões políticas. Em nota, o governo Lula classificou a decisão como um "marco lastimável" na relação bilateral e afirmou que poderá recorrer à Lei da Reciprocidade Econômica.
Rubio é 'ofensivo' e ataca Lula com arrogância, diz Vieira | G1
Mauro Vieira rebate Marco Rubio após novas tarifas dos EUA e afirma que o governo brasileiro não se curvou a exigências da gestão Trump em negociações comerciais.












