O secretário de Estado dos EUA decidiu se engajar ao máximo na sua missão de redesenhar a política da América Latina 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Montagem com as imagens do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio — Foto: Sergio Lima / AFP e Brendan SMIALOWSKI / POOL / AFP O governo de Donald Trump não atua pelas regras em questões internacionais, como é óbvio para quem acompanha os acontecimentos no planeta nos últimos dois anos. As ações contra o Brasil e a suspensão do visto à embaixadora brasileira em Washington, Maria Luiza Viotti, confirmam que o secretário de Estado, Marco Rubio, está disposto a usar todas as suas armas para o candidato Flávio Bolsonaro derrotar o presidente Lula mas eleições presidenciais em outubro. Escrevo “Rubio” porque toda a estratégia para a América Latina é elaborada por ele e não pelo presidente norte-americano. Conforme escrevi aqui semanas atrás, Trump até simpatiza com Lula, mas demonstra pouco interesse no Brasil e está focado em outras questões internacionais, como a guerra no Irã, a guerra na Ucrânia e a China. Preferiu terceirizar para seu secretário de Estado a política externa para o que os norte-americanos chamam de “Hemisfério Ocidental”, que é um termo geográfico para designar as Américas. Rubio, que na prática já administra a Venezuela e pretende colocar Cuba também em seu portfólio, pretende que todos os principais países da América Latina sejam governados pela direita. Sabe ser praticamente impossível uma mudança no México, onde a presidente Claudia Sheinbaum e seu esquerdista partido Morena estão sólidos no poder. É possível, porém, no Brasil, onde Flávio Bolsonaro possui condições de derrotar Lula, embora o atual presidente desfrute um leve favoritismo, segundo pesquisas. Usará todas as armas disponíveis, como as tarifas, a classificação de organizações criminosas brasileiras como terroristas e a pressão diplomática. Não há nada que o governo Lula possa fazer para contornar as medidas de Rubio. O secretário de Estado decidiu se engajar ao máximo na sua missão de redesenhar a política da América Latina. Quer um continente direitista dominado pelos EUA — ou pelo trumpismo, para ser mais exato. É ideológico, intervencionista e entende profundamente a política da região. Enxerga Lula como um obstáculo para as suas ambições continentais. Sabe que foi jogado para escanteio por Trump na Guerra do Irã, onde outras figuras do governo possuem mais voz, como o vice JD Vance. Mas também sabe que o presidente americano confia quase cegamente nele para lidar com temas latino-americanos depois do que é visto, por Washington, como a bem-sucedida ação para derrubar Nicolás Maduro em Caracas e forçar o regime venezuelano a capitular integralmente para os EUA. Na América do Sul mais especificamente, Equador, Colômbia, Chile, Paraguai, Peru, Bolívia e Argentina são governados pela direita ou a extrema direita. A Venezuela está literalmente nas mãos do secretário de Estado norte-americano, que está acima da presidente Delcy Rodríguez na hierarquia venezuelana. Os presidentes desses países são, em sua maioria, fãs de Trump. Alguns ainda mantêm boas relações com Lula e o Brasil, dada a importância comercial brasileira. Outros optaram pelo confronto aberto, como Javier Milei, da Argentina, ainda mais engajado do que Rubio nos ataques a Lula. A eleição de Flávio Bolsonaro seria a consolidação da vitória ideológica e estratégica de Rubio. Já a reeleição do presidente brasileiro significaria o fiasco do secretário de Estado. Insisto, a “guerra” é de Rubio contra Lula.
A guerra de Rubio contra Lula
O secretário de Estado dos EUA decidiu se engajar ao máximo na sua missão de redesenhar a política da América Latina






