Tarifaço de Donald Trump, que entrará em vigor na quarta-feira (22), resulta de investigação com base na Seção 301 da Lei de Comércio dos EUA Caiado também afirma que Flávio Bolsonaro é responsável por prejudicar a própria campanha — Foto: Zeca Ribeiro/Câmara dos Deputados - 2/12/2025 O pré-candidato do PSD à Presidência da República, Ronaldo Caiado, classificou, nesta sexta-feira (17), como infeliz a declaração do secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, que atribuiu a imposição de tarifas ao Brasil ao "ego" do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Após os Estados Unidos oficializarem a tarifa de 25% sobre parte dos produtos brasileiros, Rubio usou a rede social X para fazer duras críticas a Lula. Na publicação, afirmou que a adoção das barreiras comerciais decorre da conduta do governo brasileiro e do que chamou de "ego" do presidente. Em entrevista à imprensa, em Santo Ângelo (RS), Caiado afirmou que, ao justificar as tarifas pela relação com o presidente brasileiro, Rubio acaba agindo como um "cabo eleitoral" de Lula. “Ao dizer que está penalizando o país porque não está tendo uma boa convivência com o presidente, ele está deixando de olhar para 215 milhões de brasileiros”, disse. O presidenciável do PSD voltou a afirmar que tanto o presidente Lula quanto o senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) estão "jogando o mesmo jogo" em meio à crise comercial com os Estados Unidos, por acreditarem que o embate pode render dividendos eleitorais. O ex-governador de Goiás afirmou ainda que o Brasil não conseguiu impedir a imposição das tarifas porque Lula buscou o confronto com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Segundo Caiado, o petista "quer o tarifaço" e provocou deliberadamente o embate para, agora, "dar uma de patriota". "Na verdade, entregou o Brasil para a corrupção e para o crime organizado. Mas agora quer posar de patriota", afirmou. O tarifaço, que entrará em vigor na quarta-feira (22), é resultado de uma investigação conduzida com base na Seção 301 da Lei de Comércio dos Estados Unidos. A Casa Branca acusa o Brasil de adotar práticas consideradas desleais em setores que vão dos meios de pagamento digitais, com foco no Pix, ao mercado de etanol e à proteção da propriedade intelectual. Questionado sobre a foto do senador Flávio Bolsonaro ao lado de Luiz Philippi Machado de Moraes Mourão, conhecido como "Sicário", Caiado afirmou que não tinha conhecimento do caso. "Não saberia dizer em relação à foto", declarou. Sicário é apontado pela Polícia Federal (PF) como chefe de uma milícia privada organizada pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, instituição liquidada no fim de 2025. Caiado criticou o rumo do debate eleitoral. "Ao invés de nós estarmos discutindo pontos relevantes, a gente está discutindo fotos, briga familiar, envolvimento em corrupção, envolvimento em escândalo. De repente, não se discute o Brasil", afirmou. Ele também disse que Flávio é responsável por prejudicar a própria campanha. "Quem está prejudicando a campanha do Flávio? Ele mesmo. São os problemas dele, os problemas de ordem pessoal dele que estão comprometendo a campanha dele.” Caiado também afirmou que apenas reproduz resultados de pesquisas de intenção de voto ao fazer críticas ao presidenciável do PL. Segundo ele, os levantamentos indicam que Flávio Bolsonaro não venceria Lula em um eventual segundo turno e, por isso, seria o adversário preferido do petista. "O Lula trata o Flávio como peru de Natal, trata ele bem no primeiro turno para servir no segundo turno. É essa a realidade."