Já segundo a Abimaq, a medida amplia a incerteza no comércio bilateral, pode elevar custos e comprometer a competitividade da indústria Os Estados Unidos confirmaram a aplicação do novo tarifaço sobre produtos brasileiros — Foto: Rogério Vieiora / Valor Máquinas e equipamentos estão entre os segmentos atingidos pelo novo tarifaço dos Estados Unidos contra o Brasil e preocupam por seu elevado valor agregado e pelos efeitos sobre outras cadeias industriais. A avaliação é do economista Stéfano Pacini, do FGV Ibre. Os Estados Unidos confirmaram, na noite de quarta-feira (15), a aplicação do novo tarifaço sobre produtos brasileiros, desta vez no âmbito das investigações da Seção 301 conduzidas pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR). Será aplicada uma alíquota de 25% a partir da próxima quarta-feira (22). “Se você pensar que fazer um trator, uma máquina agrícola, uma colheitadeira, vai demandar borracha, metalurgia, siderurgia, produtos de plásticos, eletrônicos, logística, enfim, é um produto com bastante valor agregado, então, às vezes, o impacto nesse setor pode encadear um impacto maior em outros setores”, afirma Pacini. A Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) também manifestou, nesta quinta-feira (16), preocupação com a nova tarifa anunciada pelos Estados Unidos. Segundo a entidade, a medida amplia a incerteza no comércio bilateral, pode elevar custos e comprometer a competitividade da indústria. Em nota, a Abimaq destacou que os Estados Unidos são o principal destino das exportações brasileiras de máquinas e equipamentos, e que a relação comercial entre os dois países é marcada por benefícios mútuos e forte interdependência produtiva. “Trata-se de uma relação comercial caracterizada por elevada complementaridade industrial e pela intensa integração das cadeias produtivas, nas quais circulam máquinas, componentes, partes e bens intermediários utilizados pela própria indústria norte-americana”, afirmou também. A Abimaq acrescenta que, durante a consulta pública conduzida pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), representantes da indústria americana defenderam a exclusão de máquinas, equipamentos e outros bens industriais da lista de produtos sujeitos à sobretaxa. Segundo a associação, em 2025, as exportações brasileiras de máquinas e equipamentos para o mercado americano somaram cerca de US$ 3,2 bilhões, enquanto as vendas norte-americanas do setor ao Brasil totalizaram aproximadamente US$ 4,8 bilhões. O governo americano rejeitou solicitações apresentadas por setores como máquinas agrícolas, máquinas industriais, vestuário, calçados, equipamentos elétricos, ferramentas de jardinagem, papel, açúcar orgânico e diversos outros produtos manufaturados.