O governo dos EUA impôs uma tarifa de 25% sobre 25% das exportações brasileiras, afetando US$ 9,51 bilhões em produtos, principalmente máquinas e equipamentos. A medida, considerada uma punição por práticas comerciais desleais, entra em vigor em 22 de julho de 2026. Itens como petróleo, aeronaves e café foram isentos. A Abimaq alerta que as tarifas aumentam incertezas e custos, prejudicando a competitividade e investimentos. Sergio Vale e Welber Barral destacam o impacto negativo no setor industrial brasileiro.Cerca de 25% da pauta exportadora brasileira para os Estados Unidos está sujeita à nova tarifa imposta pelo governo norte-americano, de acordo com um estudo realizado pela consultoria MB Associados.PUBLICIDADECom base no total exportado para os EUA no ano passado, o valor das exportações que pode ser afetado chega a US$ 9,51 bilhões – ou 25,2% do que foi vendido para aquele país.Segundo o estudo da MB Associados, o setor mais afetado pelo novo tarifaço é o de máquinas e equipamentos, cujas vendas somaram US$ 3,316 bilhões para os EUA no ano passado. Em seguida, aparecem os setores de madeira e móveis (US$ 1,299 bilhão) e borracha e pneus (US$ 569,4 milhões).Publicidade“Basicamente, tudo o que está sendo afetado é produto industrializado. Máquinas e equipamentos estão no cerne disso. E isso é a cabeça do Trump de que, se colocar a tarifa, vai trazer a indústria para os Estados Unidos”, afirma Sergio Vale, economista-chefe da MB Associados. “Não vai acontecer e não está acontecendo. Mas ele sempre pensou assim.”Em comunicado publicado na noite de quarta-feira, 15, o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês) confirmou a aplicação da tarifa de 25% sobre produtos brasileiros. A taxação é uma punição por práticas comerciais consideradas desleais pelo governo americano.A entrada em vigor da cobrança está programada para a próxima quarta-feira, 22.Publicidade“Esse tarifaço já era esperado. Já estava na conta e vinha sendo discutido nas últimas semanas”, diz Vale.O que chama a atenção na lista de isençõesAs novas tarifas dos Estados Unidos sobre os produtos deixaram itens importantes de fora. A lista de exclusão contemplou mais de 2 mil itens. No ano passado, por exemplo, óleos bruto de petróleo – isento na nova decisão do governo Trump – foi o principal item exportado pelo Brasil para os Estados Unidos. As vendas somaram US$ 4,701 bilhões.PublicidadeTambém não entraram na nova lista aeronaves e café não torrado. São o terceiro e o quarto itens mais vendidos pelo Brasil para os EUA, respectivamente. Em 2025, as vendas de aeronaves somaram US$ 3 bilhões e as de café, US$ 1,9 bilhãoA isenção da tarifa também abarcou as vendas de ferro-gusa, quinto principal item da pauta exportadora brasileira para os EUA. As exportações somaram US$ 1,744 bilhão em 2025.Governo Trump taxou os produtos brasileiros em 25% Foto: Julia Demaree Nikhinson/AP No comércio com os norte-americanos, o segundo principal item negociado é o de produtos semiacabados, lingotes e outras formas primárias de ferro ou aço. As exportações somaram US$ 3,362 bilhões.PublicidadePUBLICIDADEEsse grupo de produtos não apareceu na lista mais recente de isenções porque já estão sobretaxados com base na Seção 232.Leia também Brasil pode ter este ano segundo maior superávit na balança comercial, mesmo com tarifaço de TrumpEx-secretário de Comércio Exterior, Welber Barral avalia que a nova rodada de taxação afeta sobretudo o setor industrial brasileiro. “A tarifa adicional de 25% só contra os produtos brasileiros vai dificultar o acesso de produtos manufaturados ao mercado norte-americano”, avalia.PublicidadeSegundo Barral, é possível realocar as exportações para outros mercados de forma mais ágil quando são commodities. “Mas isso é mais difícil para cadeias integradas e para produtos de consumo, que muitas vezes são direcionados para o produto norte-americano.” Abimaq diz que novas taxas trazem incertezaNa avaliação da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), as novas taxas preocupam e adicionam incerteza para o comércio bilateral entre Brasil e Estados Unidos.Para o setor de máquinas e equipamentos, os EUA representam o principal mercado de exportação. Em 2025, lembra a entidade, as exportações para os Estados Unidos alcançaram aproximadamente US$ 3,2 bilhões, enquanto as exportações americanas para o Brasil totalizaram cerca de US$ 4,8 bilhões. “Evidencia uma relação de benefícios mútuos e forte interdependência produtiva”, afirma, em nota.Além disso, a entidade destaca que parcela significativa desse comércio ocorre entre empresas do mesmo grupo econômico (intercompanhias), refletindo investimentos produtivos realizados por empresas americanas no Brasil e por empresas brasileiras nos EUA.“A elevação de tarifas tende a aumentar custos, reduzir competitividade, comprometer investimentos e afetar a eficiência das cadeias produtivas instaladas nos dois países, produzindo efeitos que vão além da relação comercial bilateral”, afirma a entidade. Com Gabriela Jucá
Novo tarifaço de Trump afeta 25% das exportações para os EUA; veja os setores mais impactados
Segundo estudo da MB Associados, o setor mais atingido pelo novo tarifaço dos Estados Unidos é o de máquinas e equipamentos















