Segmentos como madeira, máquinas e equipamentos, móveis, cerâmica, calçados e açúcar poderão contar com medidas de apoio do governo O decisão dos Estados Unidos de aplicar uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros com base na Seção 301 afeta cerca de 15% das exportações brasileiras para o mercado americano, considerando dados de 2025, segundo o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa. Esse percentual corresponde a US$ 5,8 bilhões. Com base dos dados de 2024, antes do primeiro tarifaço de Donald Trump, a medida impacta cerca de 18% das exportações brasileiras, o equivalente a US$ 7,4 bilhões. Segundo o ministro, 57% das exportações brasileiras para os Estados Unidos não estão sujeitas a tarifas adicionais. Outros 24% correspondem a produtos já submetidos às medidas da Seção 232, como aço e alumínio, cujas tarifas podem chegar a 50%. Elias Rosa afirmou que, a partir de agora, a prioridade do governo será apoiar os setores atingidos pela "injusta, indevida e ilegal" tarifação imposta pelos Estados Unidos. Segundo ele, segmentos como madeira, máquinas e equipamentos, móveis, cerâmica, calçados e açúcar poderão contar com medidas de apoio. Ele acrescentou que o governo também vai reforçar a estratégia de diversificação de mercados. De acordo com o ministro, o Brasil tem cerca de 2,4 mil empresas exportadoras para os Estados Unidos e todas as companhias apoiadas pela ApexBrasil já vêm ampliando sua presença em outros mercados. O ministro reiterou ainda que, em todas as reuniões realizadas entre Brasil e Estados Unidos, foram discutidos os pontos negociáveis e inegociáveis, sempre afastando qualquer proposta que pudesse expor o Pix ou causar prejuízos ao setor industrial brasileiro. “O governo do presidente Lula jamais celebrará qualquer tipo de acordo que pode representar violação dos interesses do país”, afirmou Elias Rosa. O governo americano publicou na noite desta quarta-feira (15) a resolução que estabelece tarifa de 25% sobre produtos exportados pelo Brasil. A tarifa, baseada na Seção 301 da Lei de Comércio dos Estados Unidos, entrará em vigor na próxima quarta-feira (22). Em resposta, o governo brasileiro classificou o tarifaço como "um marco lastimável" nas relações bilaterais e informou que acionará os instrumentos previstos na Lei de Reciprocidade, aprovada pelo Congresso Nacional após o anúncio da primeira rodada de tarifas impostas pelos Estados Unidos no ano passado. A Seção 301 é um instrumento previsto na Lei de Comércio dos Estados Unidos de 1974, que autoriza o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) a apurar práticas que supostamente prejudicam o comércio internacional americano. A investigação contra o Brasil, feita nos termos da Seção 301, abrange um conjunto amplo de temas. Entre os pontos citados estão, por exemplo, o Pix, a comercialização de produtos falsificados em centros populares como a Rua 25 de Março e alegações de restrições a redes sociais americanas. — Foto: Stephen B. Morton/AP