Ásia está no foco da preocupação com uma nova corrida armamentista nuclear; das potências com capacidade atômica, ao menos seis têm territórios ou alguma presença na região do Indo-Pacifico 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Telão no centro de Taipé mostra míssil disparado durante exercício militar da China em Taiwan (foto de arquivo) — Foto: HECTOR RETAMAL / AFP/ 4-8-2022 RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 09/07/2026 - 12:18 China Realiza Primeiro Teste de Míssil Balístico de Submarino Nuclear, Preocupando Vizinhos e Otan A China realizou seu primeiro teste de míssil balístico lançado de submarino nuclear, gerando preocupação entre países vizinhos e a Otan. O teste é visto como um passo rumo à "tríade nuclear", capacitando lançamentos por terra, ar e mar. A Otan expressou apreensão sobre a modernização militar chinesa, enquanto Pequim rebateu críticas, acusando a aliança de exagerar a ameaça e manter uma mentalidade de Guerra Fria. A escalada nuclear na Ásia é um foco de alerta global. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO “O míssil aterrissou com precisão na área designada”, informou a agência de notícias oficial da China na segunda-feira, sob o alarme provocado entre os países vizinhos. Foi a primeira vez que a China disparou um míssil balístico de um submarino nuclear, num teste realizado no Oceano Pacífico que Pequim classificou meramente como uma “ocorrência de rotina” dentro de seu programa anual de treinamento militar. Ao mesmo tempo, China e Rússia davam início a exercícios conjuntos em mais um motivo para preocupação na cúpula da Otan, a aliança militar do Ocidente, realizada esta semana na Turquia. Em pronunciamento em Ancara, o holandês Mark Rutte, secretário-geral da Otan, manifestou preocupação ao dizer que "a China continua a modernizar suas Forças Armadas e a expandir suas capacidades nucleares sem transparência”. Em seguida, alertou que a aliança “não deve ser ingênua sobre a China”, acrescentando que o que acontece no Pacífico é “relevante” também para o Atlântico, associando o apoio da China, da Coreia do Norte e do Irã à Rússia ao prolongamento da guerra na Ucrânia. É preciso dizer que transparência não é o lado forte em operações militares. Na cúpula do ano passado, sob ameaças do presidente americano, Donald Trump, os membros da Otan concordaram em investir 5% de seu PIB até 2035. Em seu discurso esta semana na Turquia, Rutte celebrou os resultados dessa decisão, com uma verba adicional de US$ 250 bilhões. Mas não respondeu às críticas de que as decisões na aliança são feitas a portas fechadas, sem prestação de contas sobre o orçamento. A diferença é que na Europa há espaço para esse tipo de cobrança, enquanto na China o governo controla o debate. Pequim rejeitou os comentários de Rutte, acusando a Otan de usar a China “como pretexto” para suas ações militares. Enquanto a Otan é uma aliança regional de defesa com alcance regional, a China atua como uma “força pela paz”, rebateu Mao Ning, a porta-voz da diplomacia chinesa. “Parem de usar a China como pretexto”, disse ela, “abandonem a mentalidade de Guerra Fria e deixem de exagerar a ameaça chinesa”. Fora o rebate da porta-voz, o governo chinês foi discreto em suas declarações sobre o teste, deixando que a imprensa oficial desse a dimensão de sua importância para o poder de fogo do país. O disparo mostrou que a China está a caminho de atingir a chamada “tríade nuclear”, ou seja, a capacidade de lançar mísseis por terra, ar e mar, disse o analista militar Zhang Junshe ao jornal “Global Times”. Segundo ele, o teste teve um grande significado, pois “submarinos nucleares são internacionalmente reconhecidos como a plataforma mais segura para a capacidade de um contra-ataque nuclear”. É um recado indireto aos Estados Unidos e seus aliados na região, principalmente a Austrália, que tem um acordo bilionário para adquirir submarinos de propulsão nuclear americanos, uma iniciativa vista como resposta à expansão da presença chinesa no Indo-Pacífico. E claro, em qualquer cenário paira a sombra da questão de Taiwan, principal foco no jogo de persuasão e dissuasão que envolve a ilha considerada uma província rebelde por Pequim. O governo de Taiwan se uniu ao Japão, Austrália e Nova Zelândia ao condenar o teste. Foi mais uma tentativa de “intimidar a comunidade internacional”, disse a porta-voz da Presidência, Karen Kuo. Para além das disputas regionais, a preocupação é de uma escalada nuclear na região. O secretário-geral da ONU, António Guterres, tem alertado para os riscos crescentes. “As tensões geopolíticas e a falta de confiança aumentam o risco de uma guerra nuclear ao nível mais alto em décadas” , disse. O foco da ameaça se concentra justamente na vizinhança da China. Afinal, das potências nucleares, ao menos seis têm territórios ou alguma presença na região do Indo-Pacifico.